Taxa de desemprego nos Territórios Palestinos é a mais alta do mundo
BR

12 setembro 2018

Untad destaca piora das condições da economia; situação afeta de forma desproporcional a mulheres e jovens; Israel absorveu 79% do total das exportações palestinas nos últimos cinco anos.

A taxa de desemprego nos Territórios Palestinos cresceu mais de 27% se tornado a mais alta do mundo. A informação é da Conferência da ONU sobre Comércio e Desenvolvimento, Unctad, no informe anual sobre a assistência ao povo palestino.

O estudo lançado esta quarta-feira, em Genebra, destaca que houve uma queda de 11% no rendimento por pessoa e na produção agrícola em relação ao ano passado. Essa baixa revela que pioraram as condições da economia.

Refugiados palestinos. Foto: Unwra
Refugiados palestinos. Foto: Unwra, by dsu-admin

Desenvolvimento

O coordenador do Setor de Assistência ao Povo Palestino na Unctad, Mahmoud Elkhafif, disse que o direito internacional obriga Israel e a comunidade internacional a tomar medidas em prol do desenvolvimento do Território Palestino.

De acordo com o documento, Israel não relaxou as restrições impostas a esses territórios e o apoio internacional baixou em cerca de um terço desde 2008.

A Unctad destaca ainda o impacto das condições da economia devido à ocupação israelense, que afetaram de forma desproporcional a mulheres e jovens.

Além de chamar a atenção para a queda do apoio dos doadores, o estudo cita o congelamento na reconstrução de Gaza, o consumo público e privados insustentáveis e questões de financiamento ao crédito que deixam um quadro sombrio para o crescimento.

Orçamento

Fatores como o confisco de terras e de recursos naturais por Israel também alimentam as fracas previsões para a economia palestina.

A análise sublinha que não há evidências de que o déficit no orçamento nos Territórios Palestinos seja a causa do déficit comercial. O informe defende que essas dificuldades são sintomas de uma lacuna de recursos.

Entre as principais causas do problema estão a ocupação, que aumenta a dependência de transferências do exterior, e o facto de a força de trabalho palestina buscar empregos fora desses territórios.

Nas atuais circunstâncias, as medidas políticas que exigem mais austeridade fiscal podem reduzir o crescimento e aumentar o desemprego sem afetar o défice comercial, defende a Unctad.

A agência adverte ainda que medidas de austeridade fiscal inadequadas podem ter um preço alto e aumentar a pressão às já frágeis condições socioeconômicas e políticas locais.

Entre 1972 e 2017, Israel absorveu 79% do total das exportações palestinas e 81% das importações palestinas.