Agência da ONU diz que Angola procura crescimento mais amigo do ambiente

3 julho 2018

Unctad afirma que café, mel e madeira são uma alternativa mais sustentável do que o petróleo; ministro angolano do Comércio defende novas apostas para ajudar a diversificar economia, desenvolver zonas rurais e combater a pobreza.

A Conferência da ONU sobre Comércio e Desenvolvimento, Unctad, diz que o governo angolano “tem os olhos postos em produtos mais amigos do ambiente, como café, mel e madeira”.

A agência das Nações Unidas lembra “que o crescimento econômico vertiginoso que Angola desfrutou após o fim de décadas de conflito chegou a uma parada súbita quando o preço do petróleo caiu em 2014”.

Formação

Segundo a Unctad, café, mel e madeira são “apenas três produtos de um grupo de seis em que o governo e representantes da indústria acreditam que Angola pode ser competitiva”.

A lista, que também inclui peixe, sal e banana, foi compilada durante um workshop recentemente organizado pela Unctad na capital do país, Luanda. O seminário treinou perto de 30 funcionários do governo e representantes da indústria.

Durante a capacitação, foram identificados produtos que, ao contrário do petróleo, criam ganhos ambientais e sociais à medida que a produção cresce. Numa segunda fase, decidiu-se se esses produtos podem competir com os exportadores estrangeiros.

Metas

Presente no encontro, o ministro do Comércio de Angola, Joffre Van-Dúnem Jr., disse que "os setores dinâmicos da economia verde podem fazer contribuições importantes para alcançar os objetivos nacionais de desenvolvimento”.

Segundo ele, essas metas são diversificação econômica, redução da pobreza, desenvolvimento rural, criação de empregos e melhoria do bem-estar social.

Produtos

Angola produz 90 toneladas de mel por ano, mas uma análise afirma que a produção pode mais que dobrar, para 200 toneladas, usando novas tecnologias.

Da mesma forma, o potencial econômico dos 53 milhões de hectares de florestas do país permanece inexplorado. O Unctad diz que Angola pode melhor aproveitar este recurso se transformar a madeira, por exemplo, em móveis.

Segundo a agência, o café também tem grande potencial, especialmente para os cerca de 50 mil produtores registrados, quase todos pequenos produtores.

Embora Angola tenha produzido apenas cerca de 8 mil toneladas de café em 2017, o país costumava ser um grande produtor. Na décade de 70, produzia quase 230 mil toneladas por ano.

A Unctad e o Ministério do Comércio vão agora avaliar os relatórios produzidos durante o workshop. Serão depois organizadas formações especificas para cada um dos produtos, em Luanda e nas províncias onde os bens são produzidos.

 

Apresentação: Alexandre Soares