Guiné-Bissau revela apoio dos países lusófonos para eleições de novembro

4 setembro 2018

Timor-Leste destacou vice-ministro para acompanhar apoio do país ao processo; já o Brasil deverá doar US$ 900 mil; primeiro-ministro guineense falou à ONU News sobre compromissos de outras nações do bloco para o pleito.

A preparação das eleições legislativas na Guiné-Bissau foi destaque em reuniões nas Nações Unidas. Na sexta-feira, o tema juntou doadores numa sessão da configuração da Comissão de Consolidação da Paz do país, presidida pelo Brasil, que foi realizada em Nova Iorque.

O primeiro-ministro guineense, Aristides Gomes, compareceu ao evento, um dia após discursar no Conselho de Segurança sobre o tema.

Aprovação

Gomes disse ainda que tudo está sendo feito para cumprir o calendário adotado antes do início do seu governo, há três meses.  Ele declarou que muitos países-doadores aguardam aprovação formal dos seus Parlamentos para liberar os fundos prometidos. Mas ele destacou ainda os compromissos de Estados-membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, Cplp.

“Angola prometeu, mas ainda não disse o montante, Moçambique prometeu e ainda não disse o montante. Portugal prometeu, mas ainda não disse o montante. O Brasil prometeu e já disse que dava US$ 900 mil, mas estamos à espera que este dinheiro entre. Em princípio quando estes desbloqueiam fazem uma concertação conosco. Até agora, a única participação que se pode notar é a do Timor-Leste. Porque Timor já designou um vice-ministro. ”

ONU News
Primeiro-ministro da Guiné-Bissau, Aristides Gomes.

Processo

Segundo as Nações Unidas, o processo eleitoral guineense precisa de mais US$ 1,2 milhão para completar os US$ 7,7 milhões do orçamento total.

Em entrevista à ONU News, Gomes falou dos desafios que o país enfrenta enquanto prepara o pleito marcado para 18 de novembro.

“Primeiro, em relação ao dispositivo de recolha de dados biométricos. Os kits por natureza, não são adquiridos através de “um sistema de pronto a vestir”, são encomendados em função do tipo de recenseamento que tiver sido feito. E o recenseamento, no caso da Guiné-Bissau, é muito difícil. Segundo a lei, que não está muito atualizada. Ao recensear, se atribui imediatamente o cartão de eleitor. Na maior parte dos países faz-se o recenseamento global e às vezes é feito no estrangeiro. E depois, as pessoas recebem o cartão. No nosso caso não, têm que ser kits que fazem recenseamento e imediatamente imprimem os cartões. ”

Aristides Gomes confirmou que até o momento os fundos aplicados no processo foram desembolsados pela Guiné-Bissau. O país investiu cerca de US$ 1,8 milhão e em breve deve liberar mais US$ 500 mil.