Mais material em português ajudaria com ações de regulação na África, diz OMS

31 agosto 2018

Diretora-geral-assistente da Organização Mundial da Saúde, Mariângela Simão, afirma que países de língua portuguesa podem ser ainda mais beneficiados se literatura sobre regulação de medicamentos, que é geralmente produzida em inglês e francês, também fosse escrita em língua portuguesa.

A diretora-geral assistente para acesso a medicamentos, vacinas e produtos farmacêuticos da Organização Mundial da Saúde, OMS, acredita que os países de língua portuguesa podem aumentar sua colaboração para a produção de material em português.

Em entrevista à ONU News, Mariângela Simão explica que por não estarem inseridos em grupos anglófonos ou francófonos, que são os maiores produtores de literatura e informação na área de saúde, os países de língua portuguesa deixam de receber, em seu idioma materno, atualizações e informações, por exemplo, sobre regulação de medicamentos, combate a remédios falsos e outras ações na área da saúde.

Mariângela Simão. Foto: Arquivo Pessoal
Mariângela Simão. Foto: Arquivo Pessoal, by dsu-admin

Qualidade

A médica afirma que “há muito para avançar” em termos de cooperação, o que pode ajudar a combater medicamentos falsificados, garantir o seu registro e controlar a qualidade.

“Na América Latina, como um todo, existe uma parceria muito mais consolidada, e eu acredito que esse mesmo tipo de modelo usado entre as agências regulatórias da América Latina pudesse ser melhor explorado em relação às agências regulatórias dos países de língua portuguesa.”

Exemplo

A diretora-geral-assistente da OMS elogia a colaboração, que já existe em algumas áreas entre os países lusófonos, como no combate ao vírus HIV, e que deveria ser alargada.

Mariângela Simão explica que pode ser criado, por exemplo, um sistema que permita o reconhecimento de um medicamento num país quando ele é legalizado em outro.

A diretora-geral assistente afirma que as comunidades de língua portuguesa na África podem ficar às vezes isoladas, por estarem rodeadas de organizações da África francófona e de língua inglesa, e isso destaca a importância da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, Cplp.  

“Pelo fato de as publicações e dos treinamentos se darem em língua inglesa ou francesa, tanto por parte da OMS como por parte de outras agências que trabalham em saúde, muitas vezes as comunidades de profissionais de saúde de língua portuguesa ficam muito isoladas. Isso é muito importante e, cada vez mais, se torna mais importante.”  

Segundo Mariângela Simão, é essencial “que a ligação da língua possa ser explorada nesses grupos regionais”, e que cada vez mais pessoas possam ter acesso à literatura e à informação em seu próprio idioma para que compreendam perfeitamente os passos necessários de cada ação.