Unfpa diz que 48% das meninas em Moçambique casam-se muito cedo

16 agosto 2018

Realidade dificulta presença delas no processo de desenvolvimento, capacitação e participação efetiva para desenvolvimento da economia do país; muitas ficam inteiramente fora do processo.

Durante esta quinta e sexta-feiras, um evento em Moçambique deve debater desafios para o engajamento de meninas  e jovens mulheres no desenvolvimento de Moçambique. 

O lema do encontro é “Para que nenhuma menina fique excluída do Desenvolvimento em Moçambique, Vamos Erradicar os Casamentos Prematuros.”. A iniciativa tem apoio técnico e financeiro do Fundo das Nações Unidas para a População, Unfpa, e da Embaixada da Suécia em Moçambique.

Exclusão

Débora Madeira, que trabalha com o tema de adolescentes e jovens, no Unfpa, diz que é importante encarar a questão dos casamentos prematuros.

“Quarenta e oito porcento  das nossas meninas casam muito cedo. Metade das meninas ficam foram do processo de desenvolvimento, e pior, fora dos processos de capacitação dos adolescentes e jovens, para que eles possam ter uma participação efetiva, de como é que esses jovens podem ser mais habilitados para participar na economia do país”.

Expectativas

A oficial de programas da Unfpa falou também das expectativas para a conferência.

 

Fim do Casamento Infantil. Foto: Unicef Moçambique
Fim do Casamento Infantil. Foto: Unicef Moçambique

“Em geral o programa Rapariga Biz apoia com US$ 100 mil todos os anos. Nós temos várias expetativas, a primeira delas é que, as meninas falem. É bonito você ver a menina mesmo a colocar os seus próprios problemas. Ela saber se expressar, saber colocar seus problemas e lutar pelos seus direitos; depois, é claro que essa voz seja ouvida, estamos todos lá para ouvir, e é claro também que essas questões que elas vão colocar sejam respondidas.”

Sucesso

Moçambique é signatário da Agenda 2030 sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ODS.

Debora  Madeira acredita em sucesso no alcance dos ODSs. Ela elogia a contribuição e participação das comunidades.

“As mentoras estão lá na comunidade, falam a língua das meninas, vivem naquela comunidade, elas costumam discutir entre elas. É claro que apoio técnico dos profissionais, de várias àreas, é muito importante porque em muitos momentos, as meninas precisam ter conhecimento, informação para poder continuar esse diálogo com líderes comunitários, com seus pais e com a família. Não podemos fazer nada sem a própria abordagem sociocultural daquela comunidade.”

Relembre a entrevista do especialista do Unfpa, em Nova Iorque, à ONU News sobre planejamento familiar. 

 

A conferência vai culminar com a entrega do posicionamento final contendo recomendações ao Governo moçambicano e um compromisso das meninas na erradicação dos casamentos prematuros e na contribuição para desenvolvimento da rapariga em particular dos adolescentes e jovens em geral.

Moçambique ratificou em 1994 a Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança, reafirmando o seu compromisso de implementar, de forma progressiva, os direitos da criança através da adoção e implementação de políticas, legislação e programas. 

 

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