ONU pede investigação e responsabilização após ataque que matou 40 no Iêmen
BR

10 agosto 2018

Declaração partiu da porta-voz do alto comissário para direitos humanos da ONU; ofensiva aérea, na quinta-feira, atingiu ônibus que transportava crianças em Saada, perto da fronteira com a Arábia Saudita; secretário-geral, António Guterres, quer investigação e retorno imediato das partes em conflito à mesa do diálogo.

O Escritório de Direitos Humanos das Nações Unidas deplorou um ataque no Iêmen, ocorrido na quinta-feira. Pelo menos 40 pessoas morreram e 60 ficaram feridas. Mais da metade dos mortos era composta de crianças, e a maioria com menos de 15 anos.

Segundo a porta-voz, Liz Throssell, as crianças estavam todas num ônibus, que foi atacado pelo bombardeio da coalizão liderada pela Arábia Saudita contra os rebeldes houthis no Iêmen.

Impacto

Throssell pediu a todas as partes do conflito que realizem uma investigação e levem os responsáveis à justiça.

O Escritório de Direitos Humanos pediu a todos que respeitem suas obrigações sob a lei humanitária internacional o que inclui o respeito aos princípios de proporcionalidade e precaução. Com isso, se minimiza o impacto da violência a civis.

Ela lembrou que as mortes desta quinta-feira ocorrem dias após três ofensivas à cidade de Hodeida, que abriga o principal porto de entrada no Iêmen. O Escritório de Direitos Humanos documentou pelo menos 41 mortes de civis incluindo seis crianças. 

Pescadores e vendedores ambulantes

Hodeida, que é controlada pelos rebeldes houthis, foi atacada com morteiros lançados em diferentes partes do distrito de Al Hawak incluindo o porto que estava no momento repleto de pescadores e vendedores ambulantes. 

O ataque foi condenado também pela chefe do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, Henrietta Foreman.

Ela afirmou que estava horrorizada com a ofensiva que matou e feriu crianças inocentes, muitas carregando uma mochila escolar.

Secretário-geral

No fim da tarde de quinta-feira, em Nova York, o secretário-geral da ONU condenou o ataque aéreo em Saada e expresso profundas condolências às famílias das vítimas.

Em nota, emitida pelo seu porta-voz, António Guterres destacou que a maioria das crianças tinha entre 10 e 13 anos e que voltavam de uma colônia de férias de verão.

Horas após o ataque, Guterres disse que a ofensiva tem de ser investigada e pediu o retorno imediato de todas as partes em conflito no Iêmen à mesa de negociações.

 

Tragédia ultrajante

Ainda na quinta-feira, o representante especial do secretário-geral no Iêmen, Martin Griffiths, se disse chocado com o que chamou de uma tragédia ultrajante que tirou tantas vidas inocentes incluindo crianças menores de 15 anos de idade.

Ele disse que o ataque deve levar todos a aumentarem seus esforços para acabar com o conflito através de um diálogo interno dos iemenitas. Griffiths espera que todos se reúnam em setembro, em Genebra, para participar de forma construtiva do processo político.

Desde o fim de março de 2015, mais de 6,5 mil pessoas morreram e quase 10,5 mil ficaram feridas no conflito no Iêmen. A maioria das mortes e ferimentos ocorreu por ataques aéreos realizados pela coalização liderada pela Arábia Saudita.