Guterres diz que minoria rohingya é vítima de limpeza étnica

11 julho 2018

Secretário-geral publicou um artigo de opinião no jornal dos Estados Unidos, The Washington Post, afirmando que o mundo falhou com os rohingyas; o chefe da ONU esteve em Bangladesh, na semana passada, para ver de perto a situação dos refugiados.

O secretário-geral das Nações Unidas afirma que os refugiados rohingya estão sendo alvo de uma limpeza étnica. Ele fez a afirmação num artigo de opinião publicado no jornal, The Washington Post, que é editado nos Estados Unidos.

O chefe da ONU visitou um acampamento de refugiados rohingya, na semana passada, durante uma visita a Bangladesh.  As pessoas fugiram para o local após uma onda de violência no país vizinho, Mianmar, onde viviam.  Guterres ouviu relatos de assassinatos de crianças em frente dos país, de estupros em massa de meninas e mulheres e de membros da família sendo torturados e mortos, e vilarejos inteiros sendo queimados. Para ele, as terríveis experiências da minoria rohingya, no estado de Rakhine, em Mianmar desafiam a compreensão. Mas que infelizmente esta é a realidade de quase 1 milhão de refugiados rohingya.

Guterres ouviu relatos de assassinatos de crianças em frente dos país., by Unfpa Bangladesh/Allison Joyce

Medo

António Guterres disse ainda que nada poderia prepará-lo para o que viu e ouviu. O secretário-geral mencionou um padrão de perseguição. Ele lembrou que os refugiados não têm direito a um direito humano básico: o da nacionalidade pelo próprio país deles: Mianmar.

O artigo no Washington Post também ressalta “abusos sistemáticos de direitos humanos por forças de segurança birmanesas, no ano passado, com o de objetivo aterrorizar a população rohingya. E forçando a minoria a escolher o medo ou a morte ou a deixar tudo simplesmente para sobreviver.

Crise

Após a terrível jornada, os refugiados vivem agora em Cox’s Bazar enfrentando condições difíceis naquela que se tornou a crise de refugiados que mais rapidamente cresce no mundo.

O chefe das Nações Unidas lembrou que Bangladesh é um país em desenvolvimento que está levando seus recursos ao limite para ajudar nesta crise. Ele elogiou o país e o povo bengalês por abrirem suas portas aos refugiados enquanto nações maiores e mais ricas ao redor do mundo estão fechando suas fronteiras. Mas para Guterres, a resposta deve ser global.

Refugiados

Ele citou o Pacto Global para Refugiados que está sendo finalizado pelos países-membros da ONU para que nações na linha de frente como Bangladesh não fiquem sozinhas em situações assim.

António Guterres também lembrou que a ONU e agências humanitárias estão trabalhando sem parar com os refugiados e países anfitriões para melhorar as condições.

Ele citou o apelo internacional humanitário de quase US$ 1 bilhão, que até agora só recebeu 26% do valor solicitado.

O secretário-geral da ONU viajou para Bangladesh ao lado do presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim. O órgão anunciou uma quantia de US$ 480 milhões para apoiar os refugiados rohingya, mas muito mais precisa ser feito.

Refugiados rohingya em Cox's Bazar, em Bangladesh. , by K M Asad/ ONU

Assistência

Guterres disse que não bastam as expressões de solidariedade. Para ele “o povo rohingya precisa de assistência genuína”.

Falando daqueles com quem ele se encontrou no acampamento bengalês, ele destacou que eles não perderam a esperança apesar de tudo o que enfrentaram em Mianmar.

O chefe da ONU citou uma mulher que lhe contou que os rohingyas precisam de segurança e de cidadania em Mianmar. Ela mencionou ainda que é preciso justiça pelo sofrimento enfrentado por irmãs, filhas e mães que fazem parte dessa minoria.

Para o representante da ONU, essa crise não será resolvida da noite para o dia. Ao mesmo tempo, a situação não pode continuar indefinidamente.

Retorno

Segundo Guterres, várias condições precisam ser criadas pelo Mianmar para permitir o retorno dos refugiados com plenos direitos e que se cumpra a promessa de ter essa minoria vivendo com segurança e dignidade.

Para chegar a essas condições, Guterres cita um investimento enorme não apenas na reconstrução e no desenvolvimento de todas as comunidades em uma das regiões mais pobres de Mianmar, mas também na reconciliação e no respeito pelos direitos humanos. ”

Para Guterres, a miséria e o ódio continuarão alimentando o conflito  se não forem abordadas as causas da violência no estado de Rakhine de uma forma abrangente. O chefe da ONU sublinhou ainda que a minoria rohingya não pode se tornar uma vítima esquecida, sendo “preciso ação para responder seus apelos claros por ajuda”.