6 novembro 2020

Pais africano pode expandir capacidade de produção de mel diversificando economia com novas regras e técnicas modernas; cálculos da Unctad indicam que produção pode mais que dobrar. 

Com cerca de 100 mil apicultores, Angola pode facilmente aumentar a produção de mel das atuais 90 toneladas para cerca de 200 toneladas por ano. A projeção é da Conferência da ONU sobre Comércio e Desenvolvimento, Unctad. 

Em parceria com o governo angolano, a agência identificou o setor como um canal para ajudar na diversificação da economia. Até 2022, Angola faz a transição de economia menos avançada para nação de rendimento médio. 

Petróleo  

O petróleo é hoje a principal mercadoria no país africano, representando cerca de um terço do Produto Interno Bruto, PIB. O recurso foi responsável por 93% das exportações em 2019. 

A Unctad lembra que Angola era um dos maiores produtores globais de mel, na década de 1950.  

A ONU News conversou com o gestor do Programa das Nações Unidas de Reforma e Modernização do Comércio Externo em Angola.  

De Luanda, Olívio Borges falou de potenciais ganhos com a Janela Única do Comércio Externo. Ele crê que novas regras possam impulsionar o comércio e ajudar o meio ambiente, os empreendedores e comunidades rurais. 

Espécies 

“Haverá ganhos múltiplos, desde a simplificação dos processos, procedimentos e documentos para importar e exportar mercadorias. Mas também um maior e  melhor controlo em termos daquilo que é ilegal importar ou exportar, passando concretamente por questões do ambiente ou a questão de proteção de espécies animais e vegetais ameaçadas, a tal Convenção de Washington.” 

O especialista da ONU realçou ainda como os produtores de mel poderiam ter o dia a dia com uma operação “mais simples, transparente e previsível”. 

“Os custos também irão diminuir, serão previsíveis. O importador ou exportador saberá que, se quiser exportar mel, estes são os requisitos legais, estes são os documentos ou procedimentos e esses são os interlocutores.” 

Os benefícios de uma retoma ou ampliação do negócio de produtos como o mel estão na mira de cidadãos como Max Vicente, formado no Brasil. Ele quer expandir o seu negócio de mel orgânico e natural da província do Huambo, centro de Angola.  

São Paulo 

O empreendedor apostou na atividade em 2012, após concluir o doutorado em zootecnia e aprender bases da apicultura em São Paulo. Atualmente a produção chega a 2 toneladas de mel por ano, que são vendidas inteiramente em Angola. 

Vicente disse que quer entrar nos mercados estrangeiros. A produção nacional foi se atrofiando por usar métodos tradicionais e artesanais, enquanto apicultores de outros países faziam a transição para técnicas modernas. 

Para a diretora interina de Comércio Internacional da Unctad, o setor apícola pode dinamizar a economia verde.  Teresa Moreira diz que com uma apicultura e produção bem feitas, os produtores de mel ajudariam a proteger a biodiversidade. 

Ecossistema   

A especialista da agência destaca que com mais árvores, haverá mais alimento para as abelhas e, portanto, mais mel. No processo haveria incentivo financeiro para os apicultores protegerem o ecossistema local. 

A atividade com os polinizadores também ajudaria os agricultores a produzir mais alimentos.  

De acordo com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, FAO, cerca de 75% das safras mundiais cultivadas para consumo humano dependem em parte dos animais desta espécie. 

Unmiss/Eric Kanalstein
A importância das abelhas vai muito além da produção de mel.

  

 

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