Unicef: “Parem os ataques contra crianças”

15 maio 2018

Mensagem de diretora-executiva do Unicef alerta que direitos das crianças continuam violados em todo o mundo; agência da ONU ainda só garantiu 16% dos fundos que precisa este ano.

Da República Centro-Africana ao Sudão do Sul, da Síria ao Afeganistão, os ataques a crianças continuaram nos primeiros quatro meses do ano, afirmou esta terça-feira a diretora-executiva do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef.

Henrietta Fore disse que “com pouco arrependimento e ainda menos responsabilização, as partes em conflito ainda desprezam uma das mais básicas regras da guerra, a proteção de crianças. ”

Violações

Numa mensagem, a chefe do Unicef fez uma avaliação das principais violações nos meses de janeiro a abril.  Segundo ela, "nenhum método de guerra esteve fora de limites, independentemente da sua mortalidade para crianças. ”

Fore diz que “ataques indiscriminados em escolas, hospitais e outras estruturas civis, raptos, recruta de crianças, cerco, abuso durante detenção e negação de assistência humanitária foram comuns”.

Mundo em conflito

No Iêmen, 220 crianças foram mortas, 330 feridas e 4,3 milhões correm risco de fome. Na Síria, ocorreram mais de 70 ataques a hospitais e 300 escolas. Mais de 5 milhões de crianças foram forçadas a sair das suas casas e cerca de 850 mil vivem em áreas cercadas ou de difícil acesso.

Em Gaza, as crianças estão entre as vítimas dos confrontos, e no Bangladesh 400 mil tornaram-se refugiadas. No Sudão do Sul, mais de 1 milhão estão subnutridas e cerca de 19 mil trabalham para grupos armados, como soldados, cozinheiros, mensageiros ou até escravos sexuais.  

No Afeganistão, em apenas três meses, mais de 150 crianças foram mortas e 400 feridas, e na República Centro-Africana duas em cada cinco sofrem de subnutrição crónica e um terço não vai à escola.

O Unicef partilhou no Twitter, em inglês, a história de Feizia, do Afeganistão:

Ajuda humanitária

Fore afirmou que “em todos estes países, e muitos mais, equipas do Unicef e dos seus parceiros fazem tudo que podem para aliviar o sofrimento dos mais vulneráveis.”

Apesar deste apoio, a diretora-executiva afirma que “a ajuda humanitária não é suficiente. ” Ela lembra que as leis de guerra protegem as crianças e que “quando os conflitos começam, essas regras precisam ser respeitadas e aqueles que as quebram têm de ser responsabilizados. ”

Henrietta Fore referiu-se também às dificuldades de financiamento da sua agência, dizendo que ainda só recebeu 16% do financiamento necessário para este ano.

A chefe do Unicef termina a sua mensagem com um apelo, para que “parem os ataques contra crianças." 

 

Apresentação: Alexandre Soares