Número de venezuelanos à procura de asilo aumenta 2.000% desde 2014, diz Acnur

13 março 2018

Agência da ONU lançou plano regional de resposta nas Américas e no Caribe; Acnur alerta que centenas de milhares de venezuelanos não têm estatuto legal.

A agência da ONU para Refugiados, Acnur, lançou esta terça-feira novas orientações para os governos que estão a receber pessoas da Venezuela. Desde 2014, o número de venezuelanos à procura de asilo aumentou 2.000%.

A porta-voz do Acnur, Katerina Kitidi, disse em Genebra que, apesar de estas pessoas não serem refugiadas, também precisam de proteção internacional. O maior número de candidatos de asilo encontra-se nas Américas.

Plano

O Acnur desenvolveu um plano de resposta regional que inclui oito países da região das Américas e do Caribe. Segundo a agência, “os governos têm sido generosos na sua resposta, mas as comunidades de acolhimento estão sob uma pressão cada vez maior e precisam urgentemente de apoio robusto.”

A agência pede aos Estados que “adotem medidas pragmáticas de proteção do povo venezuelano, como alternativas legais de permanência, incluindo vistos e autorizações temporárias.” Estes programas devem garantir acesso aos direitos básicos de cuidados de saúde, educação, unidade familiar, liberdade de movimento, abrigo e trabalho.

O Acnur “elogia todos os países que já introduziram estas medidas” e explica que “é crucial que estas pessoas não sejam deportadas ou forçadas a regressar.”

Crise

O diretor executivo do Programa Mundial de Alimentos, PMA, David Beasley, falou durante uma visita à Colombia sobre a crise na Venezuela.

Beasley disse que a situação no país “é absolutamente um desastre humanitário, uma crise.” Segundo ele, apenas numa localização 50 mil pessoas deixam o país de forma legal todos os dias. No total, um milhão de venezuelanos já abandonaram o país.

O diretor executivo acredita que “a questão é quão pior vai ficar” a situação. Segundo ele, “vai tornar-se muito pior” antes que os venezuelanos possam começar a regressar a casa.

Justiça

A Venezuela atravessa uma crise económica e política que tem deixado a sua população com pouco acesso a comida, medicamentos, serviços sociais ou forma de subsistência.

A agência da ONU informa que 94 mil pessoas resolveram a sua situação legal no último ano, mas “centenas de milhares de venezuelanos continuam sem qualquer documentação ou permissão para permanecer legalmente nos países de asilo.”

Kitidi disse que esta situação “torna estas pessoas particularmente vulneráveis a tráfico, exploração, violência sexual, discriminação e xenofobia.”

Segundo a porta-voz, ajudar estas pessoas é uma questão de justiça, porque “a Venezuela tem a tradição de acolher milhares de refugiados.”

 

Apresentação: Alexandre Soares