Vice-presidente queniano diz-se inocente de crimes contra a humanidade

Vice-presidente queniano diz-se inocente de crimes contra a humanidade

No início da audiência do caso de violência pós-eleitoral de 2007, TPI acusa William Ruto de participar em plano iniciado um ano e meio antes do pleito; mais de 1,2 mil morreram devido à onda de violência.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

O vice-presidente do Quénia declarou-se inocente das acusações de crimes contra a humanidade, nesta terça-feira, perante o Tribunal Penal Internacional, TPI.

William Ruto é acusado de responsabilidade criminal como coautor indireto da violência pós-eleitoral de 2007 e 2008, que resultou em mais de 1,2 mil mortos e 600 mil desabrigados.

Perseguição

O jornalista e coacusado Joshua Arap Sang, também se declarou inocente. As acusações contra ambos incluem assassinato, a deslocação forçada da população e perseguição.

Durante a audiência, em Haia, a apresentação das denúncias foi feita pelo procurador que lidera o caso, Anton Stynberg. O representante afirmou que Ruto tinha planeado a violência, durante um período de 18 meses, com início antes do pleito.

Tensões

O plano "foi desenvolvido e implementado numa série de grandes e de pequenos encontros de planificação e comícios públicos. Desde meados de 2006 até janeiro de 2008, as reuniões teriam ocorrido em várias áreas, incluindo na casa de Ruto em Sagoi, e em outros locais onde os ataques tiveram lugar."

Por seu turno, a procuradora-chefe do tribunal, Fatou Bensouda, disse que o julgamento devia prosseguir sem qualquer interferência.

Responsáveis

Segundo referiu, o então candidato presidencial explorou tensões existentes entre o seu grupo étnico Kalenjin e os Kikuyu, do antigo rival e atual presidente queniano, Uhuru Kenyatta.

Para Bensouda, "o Tribunal iria até a fundo no caso para assegurar que os responsáveis pelos crimes prestem contas à justiça." Ela considerou que não deve haver envolvimento "na atividade das testemunhas, de defesa e nem de acusação, no processo que disse que apresentaria evidências para provar as acusações."

Incitação à violência

Espera-se que a partir de novembro, o presidente do Quénia, Uhuru Kenyatta compareça ao órgão, para responder a acusações de incitação à violência, que tem rejeitado.

Nesta segunda-feira, o TPI disse que os dois casos não iriam colidir, após Kenyatta ter alegado que a Constituição impedia que ambos estivessem no exterior ao mesmo tempo.