Impossível realizar eleições justas no Zimbabué (Português para África)

Impossível realizar eleições justas no Zimbabué (Português para África)

ONU apela a governo para cessar os ataques e intimidação assim como libertar líderes políticos detidos.

João Duarte, Rádio ONU em Nova York.

O Conselho de Segurança reuniu-se esta segunda-feira para discutir a situação no Zimbabué.

Numa declaração lida pelo embaixador norte-americano na ONU, Zalmay Khalilzad, que detém a presidência rotativa, o orgão de 15 membros afirma que a violência e as restrições impostas sobre as actividades da oposição tornam impossível a realização de eleições livres e justas, previstas para esta sexta-feira.

Todos os Interesses

Segundo a declaração presidencial, para ser legítimo, o governo do Zimbabué deve considerar os interesses de todos os seus elementos.

Falando antes do encontro do Conselho de Segurança, o Secretário-Geral da ONU apelou ao adiamento da segunda volta das eleições classificando a decisão do candidato Morgan Tsvangirai de se retirar da corrida como “compreensível”.

A analista-sênior de política das Nações Unidas, Valerie de Campos Mello, esteve no Zimbabué há duas semanas com uma missão para ajudar a resolver o impasse.

Coligação

Segundo ela, uma das propostas analisadas foi a de um governo de coligação nacional.

“O presidente Mugabe diz que agora vão continuar com o segundo turno mas existe uma forte mobilização dos países da região, os países da Sadec, através da África do Sul que tem mediado as negociações entre o governo e a oposição para tentar convencer as partes e principalmente o governo a entrar em negociações urgentes para um governo de união nacional. Está claro que o país hoje está tão dividido, tão polarizado, e que nenhuma das partes, nem o Zanu-Pf, no governo, nem o MDC, partido da oposição poderiam governar o país,” disse.

Ban elogiou ainda os recentes esforços da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral, Sadc, para resolver o impasse.

O secretário-geral assistente das Nações Unidas para Assuntos Políticos, Haile Menkerios, permanece na região para assistir ao processo tendo-se já reunido com funcionários governamentais do Zimbabué e da África do Sul.