Acnur apreensiva com retorno forçado de nigerianos dos Camarões

21 março 2017

Pelo menos 2,6 mil refugiados da Nigéria regressaram contra a sua vontade em 2017; mais de 40% dos nigerianos estão em território camaronês; receio é que recém-chegados sejam obrigados a viver como deslocados no seu país.

Eleutério Guevane, da ONU News em Nova Iorque.*

O Agência da ONU para Refugiados, Acnur, manifestou preocupação com centenas de refugiados do nordeste da Nigéria nos Camarões que vêm sendo forçados a retornar ao seu país.

Em nota publicada esta terça-feira, a agência destaca que o movimento tem lugar mesmo após um acordo assinado a 2 de março. Entre vários pontos, o entendimento prevê garantir um regresso voluntário aos refugiados nigerianos.

Convenção

Pelo menos 2,6 mil nigerianos foram forçados a retornar ao seu país contra a sua vontade somente este ano.

A agência da ONU lembra que o retorno forçado dos candidatos a asilo ou refugiados é uma “grave violação” da Convenção de Refugiados de 1951 e da Convenção da União Africana de 1969 que foram ratificadas pelos Camarões.

O Acnur revelou que durante a transferência forçada de nigerianos “várias famílias foram separadas, incluindo mulheres que deixaram os filhos nos Camarões.”

O receio da agência é que a insegurança continue no nordeste da Nigéria e as limitações do acesso aos serviços básicos coloquem os recém-chegados em situação de deslocados.

Lago Chade

Atualmente, os Camarões acolhem 85 mil dos 200 mil refugiados nigerianos nos países vizinhos. A crise de segurança na Bacia do Lago Chade já deslocou mais de 2,7 milhões de pessoas.

O Acnur apelou às nações vizinhas da Nigéria que continuem com as fronteiras abertas para permitir o acesso aos seus territórios e continuem os procedimentos de asilo para os que buscam segurança.

A agência continua a acompanhar a situação dos refugiados e retornados e pediu ao Governo dos Camarões que honre as suas obrigações em relação aos refugiados.

*Apresentação: Denise Costa.

 

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