Relatores da ONU: “crise em Flint, Michigan, não é apenas sobre água”
BR

3 maio 2016

Especialistas pediram ação imediata para lidar com sérias preocupações de direitos humanos relacionadas à contaminação do reservatório de água da cidade. Apelo foi feito pouco antes da visita do presidente Barack Obama à região.

Edgard Júnior, da Rádio ONU em Nova York.

Um grupo de relatores especiais da ONU pediu “ação imediata do governo dos Estados Unidos para lidar com a contaminação do reservatório de água da cidade de Flint, no estado de Michigan”.

O apelo foi feito pouco antes da visita do presidente Barack Obama à região. Os especialistas alertaram também sobre as consequências devastadoras da contaminação para a população local, que vem lidando com uma crise relacionada à água desde 2014.

Violação Direitos Humanos

O professor brasileiro Léo Heller, que é o relator especial sobre o direito humano à água potável e ao saneamento, afirmou que “o fato de os moradores de Flint não terem acesso regular à água potável e saneamento desde abril de 2014, representa uma violação dos seus direitos humanos”.

Heller disse que “vários problemas relatados sobre a qualidade da água, particularmente a alta concentração de chumbo, também são questões preocupantes de direitos humanos”.

Os relatores da ONU declararam que o “caso de Flint ilustra drasticamente o sofrimento e as dificuldades que se seguem à falha de se reconhecer que a água é um direito humano”.

O declínio dos fundos federais para os sistemas de água e esgoto dos Estados Unidos nas últimas décadas afetou de forma desproporcional as cidades mais pobres.

Pobreza

Segundo os relatores, mais de 41% da população de Flint vive abaixo da linha da pobreza e 56% deles são afro-americanos.

Milhares de residentes da cidade receberam aviso de corte de serviço no ano passado por falta de pagamento. O serviço de abastecimento de água e saneamento de Flint é considerado um dos mais caros do país.

Os relatores especiais da ONU disseram que a visita de Obama vai servir como uma oportunidade para lidar com a situação da cidade.

Além disso, vai demonstrar liderança global ao reconhecer que os governos mundiais têm uma obrigação de direitos humanos de garantir acesso à água potável e saneamento para todos, independente da condição social.

 

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