Perspectiva Global Reportagens Humanas

OMS deplora ataque a hospital de referência no Sudão

Mulheres em fila no campo de deslocados internos de Zam Zam, em El Fasher, Darfur do Norte, Sudão, aguardando para receber uma distribuição de dinheiro.
PMA/Leni Kinzli PMA calcula haver 18 milhões de pessoas sofrendo de insegurança alimentar aguda no Sudão

OMS deplora ataque a hospital de referência no Sudão

Ajuda humanitária

Ataque ao South Hospital, em El Fasher, aumentou fluxo de doentes em outros dois hospitais e sobrecarregou capacidade de atendimento; PMA alerta para risco de escalada para maior crise de fome do mundo.

A violência fatal levou ao fechamento do único hospital com capacidade cirúrgica na cidade de El Fasher, no Sudão, após a invasão de soldados às instalações no fim de semana.

A Organização Mundial da Saúde, OMS, expressou alarme com o grave impacto do tipo de atos sobre pacientes numa das áreas que mais sofrem os efeitos dos quase 14 meses de pesados combates entre os integrantes do Exército e das Forças de Apoio Rápido, RSF.

Acesso das populações a serviços essenciais

Em rede social, a agência da ONU manifesta choque com o recente ataque ao South Hospital, que levou a aumentar o fluxo de doentes em outros dois hospitais sobrecarregando sua capacidade e limitando ainda mais o acesso das populações aos serviços essenciais.

Crianças e famílias deslocadas sentam-se em uma fila de tendas improvisadas em um centro de socorro em Tambasi, El Fasher, Darfur do Norte.
© Unicef/Mohamed Zakaria

A ONG Médicos Sem Fronteiras, que apoia a gestão das instalações, revelou que os combatentes armados saquearam equipamentos e uma ambulância.

As instalações da unidade de saúde em Wad Al-Nura, no estado de Al-Jazirah, ao sul de Cartum, também foram obrigadas a fechar após a invasão dos paramilitares das RSF. Eles abriram fogo e mataram uma enfermeira que estava de plantão. 

Maior crise de fome do mundo

O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Turk, contou que uma recolha de provas feita por sua equipe indicou o uso pelo RSF de “armas com efeitos de grande área, incluindo projéteis de artilharia, durante o ataque”.

Antes, o chefe dos Direitos Humanos se manifestou contra o que considera “impacto profundamente arrasador” desses atos sobre os civis em El Fasher, no extremo oeste do território sudanês.

A emergência humanitária causada por intensos combates no Sudão levou o Programa Mundial de Alimentos, PMA, a soar o alarme para uma situação que “está agora perto de se tornar a maior crise de fome do mundo”.

A agência da ONU calcula haver 18 milhões de pessoas sofrendo de insegurança alimentar aguda, no Sudão, incluindo quase 5 milhões de sudaneses agora enfrentando níveis emergenciais de fome.