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Agências humanitárias alertam que Gaza está à beira de crise de suprimentos

Civis caminham por uma rua repleta de escombros de um prédio que desabou em Gaza.
UN News/Ziad Taleb Muitas partes de Gaza estão em ruínas após os ataques aéreos

Agências humanitárias alertam que Gaza está à beira de crise de suprimentos

Paz e segurança

Número de deslocados internos no território palestino aumenta a cada dia; ONU abriga 218 mil pessoas e fornece alimentos para mais de 175 mil; bloqueio da área afeta fornecimento de comida e crise hídrica pode agravar ainda mais a situação; especialistas da ONU condenam “crimes de guerra” de ambas as partes do conflito. 

Subiu para 218 mil o total de deslocados internos abrigados em 92 escolas da Agência da ONU para Refugiados Palestinos, Unrwa, em todas as áreas da Faixa de Gaza.

Segundo agências humanitárias da ONU, a região está à beira de ficar sem alimentos, água, eletricidade e suprimentos essenciais. No momento, nenhuma ajuda do exterior pode passar para os 2,3 milhões de residentes do local.

Efeitos do bloqueio à Gaza

Uma crise hídrica está prestes a afetar os abrigos de emergência da Unrwa e em toda a Faixa de Gaza devido à infraestrutura danificada, à falta de eletricidade necessária para operar bombas e usinas de dessalinização e ao fornecimento limitado de água no mercado local. 

Segundo a agência, o bloqueio total na Faixa de Gaza pelas autoridades israelenses resultou na interrupção do abastecimento de combustível e água. 

O Programa Mundial de Alimentos, PMA, em parceria com a Unrwa, já distribuiu comida para 175 mil dos 340 mil palestinos deslocados após o início dos bombardeios na Faixa de Gaza.

A agência sublinhou que suas reservas de ajuda alimentar estão acabando e apelou por acesso urgente para a entrada de ajuda humanitária.

Uma pessoa recebe um saco de pão plano de outra pessoa durante uma distribuição de alimentos do PAM em uma escola da UNRWA em Gaza, outubro de 2023.
PMA/Ali Jadallah O pão é distribuído numa escola em Gaza que é um abrigo designado em tempos de emergência

Especialistas condenam crimes do Hamas e ataques contra palestinos

Em nota separada, especialistas independentes da ONU* condenaram “a violência direcionada e mortal dirigida a civis em Israel e os ataques violentos e indiscriminados contra civis palestinos em Gaza”.

O grupo também disse que o reforço do bloqueio “ilegal” no território palestino “terá impactos devastadores sobre toda a população civil”. 

Os especialistas condenaram “veementemente os crimes horríveis cometidos pelo Hamas, o assassinato deliberado e generalizado e a tomada de reféns de civis inocentes, incluindo idosos e crianças.” 

Segundo a nota, “estas ações constituem violações hediondas do direito internacional” e devem ser respondidas com “responsabilização urgente”.

Ambos os lados cometem “crimes de guerra”

Os relatores especiais também condenaram “veementemente os ataques militares indiscriminados de Israel contra o já exausto povo palestiniano de Gaza, incluindo mais de 2,3 milhões de pessoas, quase metade das quais são crianças.” 

De acordo com os especialistas da ONU, “isso equivale a uma punição coletiva”.

“Não há justificativa para a violência que atinge indiscriminadamente civis inocentes, seja por parte do Hamas ou das forças israelenses. Isto é absolutamente proibido pelo direito internacional e constitui um crime de guerra”, diz a nota.

Uma Força-Tarefa Emergência foi criada para explorar soluções para o abastecimento de água potável nos abrigos da Unrwa, em coordenação com o Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef e o Escritório da ONU para Assuntos Humanitários, Ocha.

* Os relatores de direitos humanos são independentes das Nações Unidas e não recebem salário pelo seu trabalho.