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ONU pede que líderes europeus invistam no resgate da dignidade do povo sírio

Uma menina deslocada de sete anos vive em um campo improvisado com sua família no sul da Síria. (arquivo)
Unicef/Hasan Belal
Uma menina deslocada de sete anos vive em um campo improvisado com sua família no sul da Síria. (arquivo)

ONU pede que líderes europeus invistam no resgate da dignidade do povo sírio

Ajuda humanitária

Com mais de 500 mil deslocados internos pós-terremoto, situação nos abrigos é grave; falta de infraestrutura inviabiliza trabalho humanitário; ONU sugere investimentos de U$ 14,8 bilhões para reduzir vulnerabilidades da população.

O coordenador humanitário da ONU na Síria, El-Mostafa Benlamlih, participou da Conferência Internacional de Doadores organizada nesta segunda-feira pela União Europeia. Na ocasião, ele destacou que há uma sobreposição de crises no país árabe.

O objetivo do evento é arrecadar recursos e coordenar esforços de apoio à Síria e Turquia, recentemente abalados por tremores de terra.

Crianças do campo de Al-Hamam, que é um centro de recepção para os deslocados que abriga cerca de 75 famílias em Jenderes, província de Aleppo
UN News / Shirin Yaseen
Crianças do campo de Al-Hamam, que é um centro de recepção para os deslocados que abriga cerca de 75 famílias em Jenderes, província de Aleppo

500 mil deslocados

O enviado das Nações Unidas disse que 70% da população síria já precisava de ajuda humanitária antes do terremoto, e que 4,1 milhões de pessoas já viviam em condições extremas.

No dia 06 de fevereiro, um terremoto de magnitude 7.8 na escala Richter atingiu a Síria e a Turquia, causando enorme destruição, de acordo com agências de notícias.

Desde então, mais de 500 mil pessoas se encontram deslocadas no país árabe. Milhares estão sem acesso a serviços básicos e meios de sobrevivência, afirmou Benlamlih.

O representante da ONU disse que os campos e abrigos coletivos estão lotados. Situações de violência, abuso e danos à saúde mental estão aumentando. Ao mesmo tempo, aumenta o risco de cólera devido as más condições sanitárias.

A destruição no país se reflete na falta de redes de eletricidade, água e saneamento. De acordo com o coordenador, essas condições dificultam o trabalho humanitário e precisam ser superadas por um pacote de assistência amplo.

Rações mensais de alimentos são distribuídas para famílias deslocadas na área de Sukari, em Aleppo, na Síria
WFP/Hussam Al Saleh
Rações mensais de alimentos são distribuídas para famílias deslocadas na área de Sukari, em Aleppo, na Síria

Dignidade

Em seu apelo aos líderes europeus, Benlamlih destacou que tirar as pessoas da pobreza e reduzir as vulnerabilidades deve ser uma prioridade. De acordo com ele, o ciclo de dependência da ajuda externa tem que ser superado.

O representante das Nações Unidas afirmou que 75% de estruturas essenciais para o bem-estar da população foram parcialmente danificadas. O reparo viabilizaria o reestabelecimento de serviços básicos, devolvendo dignidade ao povo, disse ele.

O chefe humanitário disse ainda que os próximos dois anos serão cruciais e que é o momento de “focar nas pessoas, não na política”. De acordo com ele, sem recursos suficientes e abordagens adequadas, mais de 18 milhões de pessoas podem precisar de assistência no começo de 2024.

El-Mostafa Benlamlih, Residente das Nações Unidas e Coordenador Humanitário interino para a Síria
UN News
El-Mostafa Benlamlih, Residente das Nações Unidas e Coordenador Humanitário interino para a Síria

14,8 bilhões

O levantamento das Nações Unidas, por meio da Avaliação das Necessidades de Recuperação do Terremoto na Síria, ou Serna, aponta que são necessários U$14,8 bilhões para atender as demandas.

O setor mais prejudicado no país é o de moradia, que requer investimentos de U$ 9,2 bilhões. Em seguida vem a saúde e a educação com necessidades de cerca de 1 bilhão cada.  

Nessas três áreas, cerca de 90% das construções poderiam ser rapidamente consertadas, contribuindo assim para a retomada de atividades essenciais.