Na ONU, Moçambique assegura contribuição no contraterrorismo global BR

Moçambique pede mais colaboração dos países para aumentar a capacidade de adaptação a mudanças do clima
ONU/Cia Pak
Moçambique pede mais colaboração dos países para aumentar a capacidade de adaptação a mudanças do clima

Na ONU, Moçambique assegura contribuição no contraterrorismo global

Paz e segurança

Primeiro-ministro diz que país tem implementado experiência pioneira com medidas para prevenir e combater o problema na região; reintegração de longo prazo e reconciliação mais efetiva serão prioridades no próximo ano; mais de 96% de moçambicanos com mais de 18 anos estão vacinados contra a Covid-19.

Moçambique ressaltou temas como segurança, crises humanitárias, mitigação de risco de desastres, metas globais e atuação durante a pandemia na intervenção na 77ª Assembleia Geral da ONU.

Este sábado, o discurso do primeiro-ministro Adriano Maleiane destacou as contribuições que o país espera fazer no mandato como membro não permanente do Conselho de Segurança no biênio 2023-24.

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Multilateralismo

“Conforme o lema da nossa candidatura ‘Paz e Segurança Internacionais e Desenvolvimento Sustentável’, iremos defender, de entre outras matérias, o diálogo e resolução pacífica dos conflitos, promoção de ações de prevenção e manutenção da paz, luta contra o terrorismo, advocacia do multilateralismo e o nexo entre as mudanças climáticas e a paz e segurança”.

Os efeitos no país  da guerra na Ucrânia e das várias crises que afetam o planeta foram destaque da intervenção. Maleiane pediu maiores esforços para melhorar o cenário através da cooperação internacional.

“Podemos destacar a Covid-19, as mudanças climáticas e as crises humanitárias, fenômenos que ameaçam a economia global. O surgimento de novos focos de tensões e conflitos internos e entre os Estados, o terrorismo e o crime organizado internacional afetam, negativamente, as perspectivas de crescimento e desenvolvimento econômico e social, agravando a crise alimentar, energética, humanitária e o funcionamento da cadeia de abastecimento dos mercados internacionais. É por esta razão que Moçambique defende a necessidade de se continuar a apostar no diálogo construtivo permanente.”

Discurso do primeiro-ministro de Moçambique na Assembleia Geral da ONU

Contraterrorismo

O reforço do contraterrorismo em Moçambique acontece em momento próximo do fim do  processo de desarmamento, desmobilização e reintegração dos antigos guerrilheiros do então movimento rebelde e agora partido Renamo.

Com fim agendado para este ano, a ação faz parte da consolidação da paz e reconciliação nacional apoiado pela  ONU. Maleiane disse que mais de 4 mil ex-guerrilheiros da Renamo, de um total de 5.221, participaram do processo.

ONU
Entrevista: primeiro-ministro de Moçambique, Adriano Maleiane

 

Já em relação ao terrorismo em Cabo Delgado, o primeiro-ministro disse que na atuação para combater os grupos armados foi adotada uma abordagem pioneira com avanços.

“Mercê das ações levadas a cabo por Moçambique, conjugadas com o apoio e assistência dos parceiros de cooperação multilaterais e bilaterais, entre os quais a Sadc, União Europeia e o Ruanda, temos vindo a registar avanços no combate ao terrorismo. Esta abordagem de Moçambique é pioneira em termos de uma ação regional concertada para enfrentar uma ameaça global que é o terrorismo.”

O primeiro-ministro disse que as medidas repõem a segurança e o regresso gradual da população as suas zonas de origem. A atividade econômica e social retorna nas regiões que foram alcançadas pelo Programa de Reconstrução de Cabo Delgado, Prcd.

Vacinas contra a Covid-19 do mecanismo Covax chegando em  Moçambique.
©Unicef Moçambique/2021/Cremildo Assane
Vacinas contra a Covid-19 do mecanismo Covax chegando em Moçambique.

Vacinados

O chefe da delegação moçambicana disse que apesar de situações adversas e desafiadoras, o país se recupera da pandemia. Pelo menos 96,6% de cidadãos com mais de 18 anos estão vacinados.

O discurso mencionou ainda a atuação diante dos eventos climáticos extremos a que Moçambique está exposto. O país foi  atingido por seis ciclones nos últimos três anos .

Moçambique pede que melhore a colaboração dos países para aumentar a capacidade de adaptação para enfrentar os efeitos das mudanças do clima, tendo como base os fundamentos do Acordo de Paris e no Quadro de Sendai.