OMS alerta para necessidade de regulamentar propagandas de bebidas alcoólicas
BR

10 maio 2022

Ferramentas digitais levam campanhas de marketing para diversos países, muitas vezes com regulações distintas; uma pessoa morre a cada 10 segundos por uso nocivo do álcool; jovens e consumidores frequentes são principais alvos da indústria.

Um novo relatório da Organização Mundial da Saúde, OMS, destaca o uso crescente de técnicas sofisticadas de propaganda no setor de bebidas alcoólicas e a necessidade de uma regulamentação mais eficaz.

O estudo mostra que os jovens e consumidores frequentes ​​são os principais alvos das peças publicitárias, muitas vezes em detrimento da sua saúde.

Câncer de mama também tem ligação com consumo de álcool
OPS-OMS/Sebastián Oliel
Câncer de mama também tem ligação com consumo de álcool

Regulamentação

Segundo a OMS, em todo o mundo, 3 milhões de pessoas morrem a cada ano como resultado do uso nocivo de álcool, uma a cada 10 segundos, representando cerca de 5% de todas as mortes.

Um número preocupante das mortes relacionadas ao álcool ocorre entre pessoas mais jovens. De acordo com os dados da OMS, o consumo exagerado de bebidas alcoólicas é responsável por 13,5% de todas as mortes entre pessoas com 20 a 39 anos.

Para o diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, o álcool rouba a vida e o potencial dos jovens, suas famílias e sociedades.

Ele adiciona que, apesar dos claros riscos para a saúde, os controles sobre a comercialização do produto são muito mais fracos do que para outros psicoativos.

Assim, Tedros Ghebreyesus acredita que uma regulamentação melhor, bem aplicada e mais consistente do marketing do álcool salvaria e melhoraria a vida dos jovens em todo o mundo.

O consumo de álcool também é um fator em mais de 300 mil mortes anuais nas Américas, cerca de 5,5% do total 
OMS
O consumo de álcool também é um fator em mais de 300 mil mortes anuais nas Américas, cerca de 5,5% do total 

Revolução digital

Segundo a OMS, uma das maiores mudanças nos últimos anos em propagandas de álcool é o uso da internet.

A coleta e análise de dados sobre hábitos e preferências dos usuários por provedores globais online criaram crescentes oportunidades para os comerciantes de bebidas alcoólicas falarem diretamente ao público-alvo além de fronteiras nacionais.

A OMS explica que a publicidade em redes sociais é eficaz no uso desses dados, com seu impacto fortalecido por influenciadores sociais e compartilhamento de postagens entre usuários.

Uma fonte de dados citada no relatório calculou que mais de 70% dos gastos com mídia das principais empresas de bebidas alcoólicas sediadas nos Estados Unidos em 2019 foram em promoções, colocação de produtos e anúncios online nas redes sociais.

O responsável da Unidade de Álcool, Drogas e Comportamentos Aditivos da OMS, Dag Rekve, afirma que a crescente importância da mídia digital significa que o marketing do álcool alcança pessoas além das fronteiras.

Para ele, isso aumenta a dificuldade para que os países regulamentem e controlem efetivamente o marketing no setor, sendo necessária mais colaboração entre os países nesta área.

Danos à saúde

Segundo a OMS, a falta de regulamentação para lidar com o marketing além das fronteiras nacionais é uma preocupação particular para crianças e adolescentes, mulheres e consumidores frequentes.

Os estudos da OMS apontam que começar a beber álcool precocemente aumenta o consumo de risco na juventude.

Além disso, os adolescentes são mais vulneráveis ​​aos danos do consumo de álcool do que os adultos. Áreas do mundo com populações jovens e em crescimento, como África e América Latina, estão sendo particularmente visadas.

A OMS afirma que o consumo de álcool entre as mulheres é um importante setor de crescimento para a produção e venda de bebidas.

Mulheres

Enquanto três quartos do álcool vendido mundialmente são consumidos por homens, a indústria de bebida alcóolica enxerga na menor taxa de consumo entre mulheres como uma oportunidade para aumentar seu mercado.

As propagandas muitas vezes retratam o consumo de mulheres como um símbolo de empoderamento e igualdade.

A OMS afirma que as estratégias passam por organizar iniciativas de responsabilidade social corporativa, sobre temas como câncer de mama e violência doméstica, e se envolverem com mulheres conhecidas por seu sucesso em áreas como esportes ou artes para promover marcas de álcool.

 

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