Guerra na Ucrânia traz impactos globais, afirma chefe da ONU
BR

13 abril 2022

Secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, esteve no lançamento do primeiro relatório do Grupo Global de Resposta a Crises sobre o impacto da guerra na Ucrânia sobre alimentação, energia e finanças; para ele, a soma de crises forma uma “tempestade perfeita” e impacta com mais força países em desenvolvimento.

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, falou à imprensa no lançamento do primeiro relatório do Grupo Global de Resposta a Crises sobre o impacto global da guerra na Ucrânia nos sistemas de alimentação, energia e finanças.

Além do líder da ONU, também estiveram no encontro na sede em Nova Iorque a vice-secretária-geral, Amina Mohammed e secretária-geral da Conferência da ONU sobre Comércio e Desenvolvimento, Unctad, Rebeca Grynspan.

Na viagem, Guterres falou em português com jornalistas
ONU/Mark Garten
Na viagem, Guterres falou em português com jornalistas

Tempestade perfeita

O chefe das Nações Unidas afirmou que a soma de crise sanitária, de clima e de paz e segurança forma uma “tempestade perfeita”, que ameaça especialmente as nações em desenvolvimento.

Guterres destacou que, embora a maior atenção esteja focada nos efeitos da guerra sobre os ucranianos, ela também está tendo um impacto global, em um mundo que já testemunhava o aumento da pobreza, fome e instabilidade.

O Grupo Global de Resposta a Crises é formado por 32 membros, presidido pela vice-secretária-geral da ONU, Amina Mohammed, que inclui chefes de agências da ONU, bancos de desenvolvimento e outras organizações internacionais.

O trabalho foi iniciado, em 14 de março, em resposta às preocupações sobre as possíveis consequências da invasão russa da Ucrânia, bem como os impactos contínuos da pandemia de Covid-19 e os efeitos do aquecimento global.

O objetivo do grupo será garantir a colaboração entre os governos, o sistema multilateral e diversos setores, para ajudar países vulneráveis ​​a evitar crises em grande escala.

Segundo a ONU, isso será alcançado por meio de coordenação e parcerias de alto nível, ação urgente e acesso a dados críticos, análises e recomendações de políticas.

Efeitos globais da guerra na Ucrânia

De acordo com o primeiro resumo, divulgado nesta quarta-feira, a crise na Ucrânia corre o risco de levar até 1,7 bilhão de pessoas à pobreza, miséria e fome. O número representa mais de um quinto da humanidade.

A Ucrânia e a Rússia respondem por 30% do trigo e da cevada do mundo, um quinto de seu milho e mais da metade de seu óleo de girassol.

Os grãos são uma fonte de alimento essencial para algumas das pessoas mais pobres e em situação precária, fornecendo mais de um terço do trigo importado por 45 países africanos e menos desenvolvidos.

Destruição causada por uma explosão em Kyiv, Ucrânia.
Unicef/Anton Skyba for The Globe and Mail
Destruição causada por uma explosão em Kyiv, Ucrânia.

Gás natural

Além do abastecimento de alimentos, a Rússia também é o maior exportador mundial de gás natural e o segundo maior exportador de petróleo.

O secretário-geral também destacou que a guerra agravou os desafios que muitos países em desenvolvimento estão enfrentando como resultado da pandemia do Covid-19, bem como os encargos históricos da dívida e a inflação crescente.

Desde o início de 2022, os preços do trigo e do milho aumentaram 30%, os preços do petróleo subiram mais de 60% no ano passado e os preços do gás natural e dos fertilizantes mais do que duplicaram.

Abastecimento alimentar global

Assim, as operações humanitárias da ONU enfrentam uma crise de financiamento: o Programa Mundial de Alimentos, PMA, alertou que não tem recursos suficientes para alimentar pessoas em regiões vulneráveis. A agência precisa urgentemente de US$ 8 bilhões para apoiar suas operações no Iêmen, no Chade e no Níger.

O relatório, segundo Guterres, “mostra que existe uma correlação direta entre o aumento dos preços dos alimentos e a instabilidade social e política”. Ele adicionou que o mundo não pode permitir isso e é necessário agir imediatamente.

O resumo de políticas insiste na importância da cooperação global no enfrentamento da crise, que, de acordo com o líder da ONU, “deixará cicatrizes profundas e duradouras”.

O relatório convida todos os países, além do setor privado, ONGs e outros atores sociais, a reconhecer que a própria natureza dos choques globais cada vez mais comuns é que os países não podem agir de forma individual e que as soluções precisam ser baseadas no risco global, em vez de nacional.

À luz do aumento do custo de alimentos, combustível e outras commodities, todas as nações são instadas a manter seus mercados abertos, resistir ao acúmulo e restrições desnecessárias à exportação e disponibilizar reservas para países com maior risco de fome e fome.

ONU incentiva a cooperação internacional em favor de países em desenvolvimento
Unicef/Karel Prinsloo Edit
ONU incentiva a cooperação internacional em favor de países em desenvolvimento

Financiamento para avanço e retomada econômica

O relatório pede às instituições financeiras internacionais que liberem financiamento para os países mais vulneráveis, ajudem os governos dos países em desenvolvimento a investir nos mais pobres e vulneráveis ​​aumentando a proteção social e trabalhem para reformar o sistema financeiro global para que as desigualdades sejam reduzidas.

Segundo o resumo apresentado, os apelos humanitários devem ser totalmente financiados e uma grande reforma do sistema financeiro internacional é necessária para resgatar a sustentabilidade econômica dos países em desenvolvimento.

Para os representantes da ONU, dependendo de como o mundo responder, a crise também pode se tornar uma oportunidade para o planeta.

Energia renovável

O texto reconhece que, no curto prazo, as reservas de combustíveis fósseis precisam ser liberadas para estabilizar os preços e garantir suprimentos suficientes.

No entanto, uma implementação acelerada de energia renovável ajudaria a garantir que os tipos de aumentos de preços de energia atualmente observados não se repitam no futuro, ao mesmo tempo em que acelera o progresso em direção a um futuro energético mais limpo e de baixo carbono.

O plano é que os desenvolvimentos do Grupo Global de Resposta a Crises sejam divulgados semanalmente, às terças-feiras, mas o cronograma de publicação pode variar, dependendo dos desdobramentos da guerra na Ucrânia.

 

♦ Receba atualizações diretamente no seu email - Assine aqui a newsletter da ONU News
♦ Baixe o aplicativo/aplicação para - iOS ou Android
♦ Siga-nos no Twitter! Assista aos vídeos no Youtube e ouça a rádio no Soundcloud