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Reconstruindo o Haiti: o caminho para a recuperação pós-terremoto BR

Crianças haitianas em uniforme escolar sentam e ficam em pé em carteiras de madeira em uma sala de aula improvisada com paredes de blocos de concreto inacabadas em Port-Salut, Les Cayes, Haiti.
Foto: © UNICEF/Diaz Mercado Crianças retornam para a escola após terremoto no Haiti.

Reconstruindo o Haiti: o caminho para a recuperação pós-terremoto

Ajuda humanitária

Seis meses depois de um sismo arrasador, no sudoeste do país, causando a morte de 2,2 mil pessoas e deixando 12,7 mil feridas, a comunidade internacional une-se ao governo haitiano para angariar US$ 2 bilhões para a recuperação a longo prazo; vice-secretária-geral, Amina Mohammed, está na capital Porto Príncipe; ONU News explica por que o apoio é necessário. 

A vice-secretária-geral da ONU, Amina Mohammed, está na capital do Haiti, Porto Príncipe, para participar, nesta quarta-feira, do Evento Internacional para o Financiamento da Reconstrução da Península Sul do país. 

A conferência busca angariar fundos seis meses depois de um terremoto ter atingido a área, em agosto passado. Amina Mohammed terá encontros com autoridades do governo da ilha caribenha, funcionários da ONU e outros parceiros. 

Eleições 

Segundo as Nações Unidas, este é um momento crítico para o Haiti, que além de se recuperar do terremoto, segue em busca de um caminho para eleições, estabilidade e desenvolvimento sustentável.  

Amina Mohammed também aproveitará a passagem pela ilha para fazer reuniões sobre os progressos de combate ao cólera. Ela ficará no Haiti até quinta-feira. 

O governo haitiano calcula que US$ 2 bilhões são necessários para reconstruir todas as áreas atingidas pelo terremoto. Deste total, US$ 1,5 bilhão será direcionado a serviços sociais, incluindo habitação, saúde, educação e programas de segurança alimentar.  

Entenda, a seguir, todos os detalhes sobre a situação:  

Beneficiários do WFP aguardando em fila para receber assistência em Maniche, em 24 de agosto de 2021.
Foto: WFP/Alexis Masciarelli A ONU calcula que 800 mil pessoas foram afetadas pelo terremoto.

 

O que aconteceu? 

Um terremoto de magnitude 7.2 atingiu o sudoeste da ilha caribenha em 14 de agosto de 2021, causando muita destruição, principalmente em áreas rurais. Além dos mortos e feridos, milhares de casas ficaram danificadas ou destruídas. Escolas, hospitais, estradas e pontes também foram atingidos, interrompendo serviços essenciais como transportes, agricultura e comércio. A ONU calcula que 800 mil pessoas foram impactadas de alguma maneira, incluindo 300 mil crianças cujas escolas foram danificadas.  

Uma idosa aguarda na fila para receber ajuda alimentar de um caminhão do WFP) em Grand Perrin, Haiti, após um terremoto. Trabalhadores humanitários e voluntários descarregam sacos de alimentos.
© PMA/Alexis Masciarelli PMA ampliou distribuição de alimentos no Haiti.

Qual foi a resposta ao terremoto? 

Logo após o sismo, o governo, as Nações Unidas e outros parceiros começaram a fornecer assistência humanitária de emergência. O Escritório da ONU para Assuntos Humanitários, Ocha, teve um papel central na coordenação da resposta. A Organização Internacional para Migrações, OIM, entregou abrigos temporários para pessoas que ficaram sem casa, além de comida e outros itens.  

Já o Programa Mundial de Alimentos, PMA, distribuiu refeições para as crianças em idade escolar, uma maneira de incentivá-las a continuarem frequentando as aulas nos estabelecimentos de ensino que não foram danificados. Cerca de 60 centros de saúde também foram destruídos, então o Unicef, e o Fundo de População da ONU, Unfpa, criaram enfermarias de emergência. Grávidas receberam cuidados e muitas vezes, deram à luz em tendas.  

Seis meses depois do terremoto, o Haiti já ultrapassou a fase emergencial e está focado na recuperação a longo prazo. Em novembro, o governo publicou um levantamento sobre a quantia necessária para reconstruir a região afetada – cerca de US$ 2 bilhões. Deste total, US$ 1,5 bilhão será direcionado para serviços sociais, incluindo habitação, saúde, educação e programas de segurança alimentar. O restante será gasto para melhorar agricultura, comércio e indústria e também para reparar serviços de infraestrutura essenciais. Programas ambientais também serão contemplados.  

Pessoas caminham por uma rua repleta de escombros e destroços em Porto Príncipe, Haiti, após um terremoto.
Foto: MINUSTAH O terremoto de 2010 já havia causado destruição na capital haitiana, Porto Príncipe.

Quais são as lições tiradas dos desastres naturais? 

O Haiti já tem experiência com desastres naturais incluindo o terrível terremoto de 12 de janeiro de 2010, que matou 220 mil pessoas incluindo o vice-chefe da Missão, o brasileiro Luiz Carlos da Costa. A maioria das mortes ocorreu na capital Porto Príncipe e áreas adjacentes. A maior lição tirada com aquela catástrofe foi a de que liderança nacional é crucial.  

Em 2010, o governo haitiano foi diretamente impactado pelo desastre e estava mal equipado e despreparado para coordenar uma resposta de emergência em larga escala. O Haiti também precisa melhorar no sentido de introduzir medidas mais robustas para a redução de riscos de desastres.  

Casa danificada em uma encosta no Haiti após um terremoto, com pessoas desabrigadas nas proximidades.
Foto: IOM/Monica Chiriac No Haiti, milhares de pessoas ficaram deslojadas após o terremoto.

Quais outras crises o Haiti enfrenta?  

O terremoto de 2021 aconteceu em um momento em que o país enfrentava múltiplas crises, de naturezas econômica, política, de segurança, humanitária e de desenvolvimento. O Haiti tem um alto índice de pobreza e ocupa a posição 170 no ranking de 189 nações do mundo apresentadas no Relatório de Desenvolvimento Humano 2020, do Programa da ONU para o Desenvolvimento, Pnud. A economia está em apuros, sendo que recentemente bandidos armados bloquearam entregas de petróleo, uma situação que quase paralisou o país. Insegurança, sequestros e gangues controlando vários bairros da capital Porto Príncipe são realidade. Em julho de 2021, o presidente do Haiti, Jovenel Moise, foi assassinado dentro de casa e o inquérito continua ocorrendo. 

Além de tudo isso, a ilha caribenha também enfrenta a ameaça de Covid-19.  

Duas crianças no Haiti estão perto de uma mesa de frutas durante a celebração do Dia da Mulher Rural em Chardoniere, com a embaixadora nacional do Unicef no Haiti, Jean Jean Roosevelt, ao fundo.
Foto: © UNICEF Crianças nas zonas rurais do Haiti ajudam nos trabalhos agrícolas.

Como o Haiti pode se recuperar desta última adversidade? 

Na quarta-feira, 16 de fevereiro, o governo promoverá uma conferência internacional em Porto Príncipe com a meta de angariar pelo menos US$ 1,6 bilhão dos US$ 2 bilhões necessários para colocar o país novamente nos trilhos depois do terremoto.  

Muitos países doadores no mundo todo estão enfrentando um impacto financeiro causado pela pandemia de Covid-19.  

Além disso, o Haiti está competindo com o financiamento de outras crises da atualidade, como Afeganistão e a região de Tigray, na Etiópia. A enorme diáspora haitiana, especialmente nos Estados Unidos, pode ser um trunfo para o Haiti, com a expectativa de que essas comunidades ajudem no financiamento. Entidades filantrópicas sediadas nos Estados Unidos também são alvo.  

A comunidade internacional no Haiti já foi alertada de que se o país não conseguir o apoio necessário, sua recuperação, seu desenvolvimento e sua habilidade de enfrentar futuros desastres naturais serão afetados de forma negativa.