Unctad pede que países em desenvolvimento priorizem políticas de adaptação ao clima
BR

28 outubro 2021

Grupo de economias é o mais afetado nas perdas econômicas relacionadas a desastres climáticos; estudo sugere investimento em ações de prevenção; agência propõe ainda que financiamento deve continuar subindo com o aumento na temperatura global.

A Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento, Unctad, divulgou um estudo que apela para uma abordagem transformadora na adaptação climática, especialmente nos países em desenvolvimento.

A agência da ONU recomenda a implementação de programas de investimento público em grande escala para se moldar às ameaças futuras e atuais, assim como políticas industriais verdes para impulsionar o crescimento e a criação de empregos.

Vice-chefe da ONU destaca haver mais apoio dado a ações climáticas mais ousadas,
Foto: MINUSTAH/Logan Abassi
Vice-chefe da ONU destaca haver mais apoio dado a ações climáticas mais ousadas,

Impactos da mudança climática

A Unctad lembrou que este foi um ano de eventos climáticos extremos, com ondas de calor mais intensas, ciclones tropicais mais fortes, secas prolongadas e a elevação contínua do nível do mar. 

Assim, os efeitos começam a trazer danos econômicos e sofrimento humano cada vez maiores, sobretudo em países do Hemisfério Sul, de acordo com o estudo. 

A secretária-geral da entidade, Rebeca Grynspan, afirmou que o relatório demonstra que ações para a adaptação exigirão uma abordagem proativa e estratégica. 

Ela adiciona que os governos dos países em desenvolvimento precisam de política adequada e espaço fiscal para mobilizar financiamento público em grande escala.

De acordo com a chefe da Unctad, essa é a melhor recomendação para que seja possível enfrentar as ameaças climáticas futuras e garantir que esses investimentos complementem as metas de desenvolvimento.

Clima continuará muito seco em vários países africanos
Foto: UN Photo/Albert Gonzalez Farran
Clima continuará muito seco em vários países africanos

Mitigação e adaptação

As sugestões do estudo também reforçam que a agenda de adaptação não pode ficar atrás das iniciativas de mitigação, que geralmente concentram as discussões.

A agência avalia que o foco se revela “míope e cada vez mais caro”, especialmente para o mundo em desenvolvimento, onde os choques climáticos estão prejudicando as perspectivas de crescimento e forçando os governos a desviar recursos escassos de investimentos produtivos.

Segundo os dados, os custos de adaptação para o grupo de países dobraram na última década, como resultado da pouca ação contra a mudança climática. 

Os resultados apontam também que os valores devem aumentar com a subida das temperaturas, atingindo US$ 300 bilhões em 2030 e US$ 500 bilhões em 2050.

Shahid realça que dará primazia a questões como mudança climática
OMM/Ahmed Shuau
Shahid realça que dará primazia a questões como mudança climática

Desenvolvimento

A entidade recomenda o fortalecimento de resiliência a choques em todos os níveis de desenvolvimento, melhorando a coleta de dados e técnicas de avaliação de risco. 

Assim, seria possível proteger ativos existentes e fornecer apoio financeiro temporário se necessário.

O relatório também argumenta que a adaptação exige planejamento, reforçando o papel dos governos como a melhor plataforma de preparação para os impactos climáticos.

De acordo com diretor da divisão de estratégias de globalização e desenvolvimento da Unctad, Richard Kozul-Wright, o esforço político para lidar com a adaptação climática devem estar conectados com o desenvolvimento para ter um impacto sustentável e significativo.

ONU lembra que a poluição do ar também agrava a crise climática
Unsplash/Kouji Tsuru
ONU lembra que a poluição do ar também agrava a crise climática

Ações

As principais ações sugeridas pelo relatório focam em diferentes frentes, ligadas a investimento em iniciativas que foquem em baixas emissões de carbono e energias renováveis, assim como política industrial mais sustentável.

O relatório também fala em adoção de práticas mais ecológicas na agricultura, melhorando a segurança alimentar e assegurando a renda, principalmente de pequenos produtores, e diversificação de commodities primárias. 
 

 

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