Agências da ONU continuam comprometidas com entrega de ajuda humanitária no Afeganistão
BR

17 agosto 2021

Quase 400 mil afegãos abandonaram suas casas desde o início do ano e mais de 5 milhões vivem como deslocados internos; Alto Comissariado de Direitos Humanos menciona cenas de desesepero no aeroporto de Cabul como amostra da gravidade da situação no país.

A Organização Internacional para Migrações, OIM, fez um alerta esta terça-feira sobre as graves consequências da situação política no Afeganistão para a comunidade de deslocados internos. 

Em Genebra, o diretor-geral da agência, António Vitorino, afirmou que apesar das dificuldades e dos desafios, a OIM “continua comprometida em fornecer assistência para os deslocados e ao mesmo tempo, garantir o bem-estar dos funcionários que estão no país.”

Cabul, capital do Afeganistão
Foto: ADB/Jawad Jalali
Cabul, capital do Afeganistão

Milhões que precisam de ajuda 

Quase 400 mil afegãos abandonaram suas casas desde o início do ano devido à violência, sendo que mais de 5 milhões de pessoas já estavam vivendo como deslocadas internas. São civis que dependem de ajuda humanitária para sobreviver. 

Segundo o chefe da OIM, a instabilidade e a insegurança na capital Cabul estão impedindo as movimentações para dentro e fora do país, afetando também as operações da agência. 

O programa de assistência ao retorno voluntário de refugiados afegãos está suspenso no momento. 

Deslocados pela insegurança no Afeganistão abrigados em um acampamento na província ocidental de Herat
OIM/Muse Mohammed
Deslocados pela insegurança no Afeganistão abrigados em um acampamento na província ocidental de Herat

Promessas do Talebã 

Também nesta terça-feira, o porta-voz da alta comissária da ONU para os Direitos Humanos declarou que “as cenas de desespero registradas no aeroporto de Cabul mostram a gravidade da situação após o Talebã tomar o poder. 

Rupert Colville explicou que o movimento divulgou uma série de comunicados afirmando que será “inclusivo e que as mulheres e meninas poderão trabalhar e ir para a escola.”

Para porta-voz, essas declarações são recebidas com “ceticismo” e ele lembrou ao Talebã que essas promessas precisam ser honradas. O Escritório de Direitos Humanos da ONU continua recebendo relatos de abusos de direitos e de restrições a liberdades, especialmente de mulheres e de meninas.

Rupert Colville pediu ao Talebã para “demonstrar, com ações, que  o medo pela segurança de tantas pessoas está sendo abordado”. À comunidade internacional, ele fez um apelo para apoiar os civis que estão sob risco. 
 

 

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