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Tragédia de Covid-19 na Índia não tem que se repetir na África, diz diretora regional da OMS BR

A Dra. Luzola Messo recebe a vacina contra a COVID-19 de um profissional de saúde em Luanda, Angola, em 2 de março de 2021.
Unicef/COVAX/Carlos César Funcionário de saúde de Angola recebe vacina através da iniciativa Covax

Tragédia de Covid-19 na Índia não tem que se repetir na África, diz diretora regional da OMS

Saúde

Para Matshidiso Moeti, os países precisam estar em alerta máximo para contornar atraso na entrega de doses e administração das vacinas; além de interrupções no envio de insumos e imunizantes às nações africanas; até o momento apenas 1% da administração global das doses foi feito na África.

A imunização contra a Covid-19 na África está sendo ameaçada pela lentidão na entrega de insumos e doses do Instituto Serum, da Índia.

O alerta partiu do Escritório Regional da Organização Mundial da Saúde, OMS.  As entregas iniciais da vacina do mecanismo Covax, liderado pela ONU, a 41 países na África estão prejudicadas desde o início de março. 

Profissional de saúde usando máscara segura um sensor de temperatura para monitorar o armazenamento de vacinas em uma câmara fria.
© Unicef/Sibylle Desjardins Funcionária de logística em Kinshasa, na República Democrática do Congo, mostra um sensor de temperatura usado para garantir que as vacinas sejam armazenadas na temperatura certa

Corrida

Nove países administraram menos de 25% das doses recebidas e 15 nações do continente receberam menos da metade dos lotes. 

A diretora-regional da OMS, Matshidiso Moeti, afirma que é preciso vacinar todas as pessoas com as doses disponíveis. Para ela, trata-se de uma corrida contra o tempo e contra o vírus. E a tragédia da Índia não pode se repetir na África.

Desde o agravamento da pandemia na Índia, o país passou a retardar a entrega de vacinas de empresas indianas. Com isso, os africanos que recebiam os lotes do país asiático estão sob maior risco de serem contaminados com a Covid-19 e as variantes da infecção que permanecem se espalhando.

As novas variantes colocam a África sob risco de uma terceira onda de contaminação. A cepa B.1.617, detectada na Índia, foi notificada pelo menos em um país africano. Já a variante B1.351 da África do Sul se espalhou a pelo menos 23 nações do continente, enquanto a cepa B1.1.7, do Reino Unido, já foi encontrada em 20 países africanos.

Contêineres de carga da vacina COVAX na pista à noite, com uma aeronave da TAP Air Portugal ao fundo.
© Unicef/Delfim Mendes Mais de 3,4 milhões de pessoas já morreram da Covid-19

Estado de alerta

A OMS regional afirma que a tragédia da Índia deve colocar todos na África em máximo de alerta máximo.

Em alguns países africanos, a campanha de imunização tem funcionado bem, mas apenas 19 milhões de doses foram administradas até o momento de um total de 37 milhões recebidas.

A cobertura da vacinação na África é a mais baixa em todo o mundo. A média global é de 150 doses por 1 mil habitantes. Na África Subsaariana, esta relação é de 8 doses por mil. A baixa cobertura pode levar à África a se tornar o epicentro da contaminação, segundo alguns analistas.

A África do Sul e a Índia estão liderando esforços para suspender a proteção de patentes da vacina contra a Covid, um tema que foi reforçado na Organização Mundial do Comércio, OMC, após o anúncio do governo dos Estados Unidos de que apoiaria a medida.

Um menino de camisa listrada faz um sinal de positivo com o polegar enquanto usa uma máscara facial azul em frente a um quadro-negro mahadra.
Unicef/Raphael Pouget Uma criança em Nouakchott, na Mauritânia, levanta o polegar após uma sessão de conscientização sobre a prevenção do Covid-19.

Divisor de águas

Moeti diz que a quebra de patentes pode ser um divisor de águas na África levando a milhões de doses que podem salvar as pessoas. Ela lembra que ninguém estará seguro até que todos estejam seguros.

Até o momento, foram notificados 4,6 milhões de casos de Covid-19 na África e 123 mil mortes. 

Embora exista uma tendência de redução de casos nos últimos 15 dias, países como Angola, Cabo Verde, Camarões e Eritreia notificaram um aumento das infecções.