Timor-Leste diz que mundo sairá da crise global da Covid-19 mais forte  
BR

24 setembro 2020

Presidente Francisco Guterres Lú-Olo foi o primeiro líder de língua portuguesa a discursar nesta quinta-feira na Assembleia Geral; ele lembrou papel da ONU na independência do país, em 2002, dizendo que relação com Indonésia é hoje exemplo de boa vizinhança e cooperação. 

Timor-Leste está usando a pandemia de Covid-19 “como uma oportunidade para corrigir fraquezas estruturais”. A declaração é do presidente do país, Francisco Guterres Lú-Olo. 

Num discurso pré-gravado, o chefe de Estado destacou o Plano de Resposta à Covid-19 do secretário-geral e várias iniciativas para aliviar o peso da dívida e o financiamento para o desenvolvimento.   

Telmo Sentieiro, um boina-azul português que serve noTimor-Leste, caminha por uma aldeia nas montanhas
Presidente timorense lembrou papel da ONU na independência do país, Foto ONU/Martine Perret

Pandemia 

Timor-Leste confirmou seu primeiro caso de Covid-19 em 21 de março. Até o momento, já houve 27 notificações, mas nenhuma precisou de cuidados intensivos.  

Francisco Guterres Lú-Olo destacou o apoio da comunidade internacional, e da Organização Mundial da Saúde, OMS, para conter o vírus. 

“As fronteiras foram fechadas, foram criadas unidades de quarentena e isolamento e formadas equipas para sensibilizar o nosso povo. O Estabelecimento de um Centro Integrado de Gestão de Crise permitiu assim o trabalho coordenado entre todos os setores envolvidos neste combate.” 

O presidente disse que cooperando com o governo timorense para estabelecer “um Plano de Recuperação econômica centrado nas pessoas, que vai reativar a economia nacional, com medidas a curto, médio e longo prazo.” 

Guterres Lú-Olo também pediu que “a vacina a ser produzida se torne um bem público global.” Segundo ele, “juntos e num espírito e num verdadeiro espírito de solidariedade, a humanidade vai vencer este desafio.” 

Ambiente 

O presidente referiu depois a ameaça da mudança climática, dizendo que “o desrespeito pela natureza provocou alterações climáticas com impacto negativo para a humanidade.” 

País está criando Plano de Recuperação econômica centrado nas pessoas, que vai reativar a economia nacional, com medidas a curto, médio e longo prazo

“A destruição de ecossistemas e da biodiversidade está ligada às novas doenças de que a Covid-19 é um exemplo. Assim, Timor-Leste acredita que o Acordo de Paris sobre as alterações climáticas e os Objetivos para o desenvolvimento Sustentável consubstanciam meios e questões incontornáveis no caminho para a reconstrução dos nossos países.” 

Guterres Lú-Olo destacou iniciativas como a “Um cidadão, uma árvore”. A Presidência atribui, todos os anos, o prêmio Sergio Vieira de Mello a essas propostas. Em 2019, a distinção foi para uma ONG que refloresta manguezais.  

Timor-Leste também construiu uma unidade de processamento e tratamento de plástico que irá produzir tijolos para construir casas, reduzindo assim a polução de lixo plástico.  

História 

Há 18 anos que o país é membro das Nações Unidas. O chefe de Estado lembrou “o conflito prolongado que parecia sem solução” dizendo que “o envolvimento da ONU foi relevantíssimo.” 

Hoje, Guterres Lú-Olo diz que o processo de reconciliação com a Indonésia é “um exemplo de boa vizinhança e cooperação”, apesar do passado doloroso. 

Chefe de Estado destacou impacto de mudanças climáticas em seu país e esforços para combater essa ameaça
Chefe de Estado destacou impacto de mudanças climáticas em seu país e esforços para combater essa ameaça, Pnud Timor-Leste

O presidente realçou ainda a relação com os outros países de língua portuguesa, destacando a violência que assola a província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique, que já forçou o deslocamento de 300 mil pessoas. 

Moçambique 

“Ligam-nos laços de história e de língua aos países e povos que fazem a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, a Cplp. Tivemos a honra de presidir esta comunidade por dois anos. Preocupa-nos a violência terrorista que se abate sobre o norte de Moçambique, país irmão.” 

O presidente também referiu o processo de adesão à Associação das Nações do Sudeste Asiático, Asean, dizendo que o país “está comprometido” em pertencer ao bloco de 600 milhões de habitantes. 

Guterres Lú-Olo foi o primeiro representante de um país de língua portuguesa a discursar esta quinta-feira, seguindo-se São Tomé e Príncipe e Guiné-Bissau. 

Na sexta-feira, discursa o primeiro-ministro de Portugal e no sábado o chefe de governo de Cabo Verde.  

 

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