Com opositor russo fora do coma, Bachelet insiste em investigação transparente
BR

8 setembro 2020

Alexei Navalny é tratado em um hospital de Berlim; chefe de Direitos Humanos questiona motivo, usuário e forma de aquisição do agente que teria sido usado para envenenamento do paciente.

A alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, saudou esta terça-feira a informação de que o opositor russo Alexei Navalny saiu do coma em um hospital de Berlim.

Em nota emitida em Genebra, ela pediu uma análise completa da Rússia ou a cooperação das autoridades do país para investigar o caso. 

Proteção

Para Bachelet esse exame ao caso deve ser “transparente, independente e imparcial”, depois de especialistas alemães terem afirmado haver “provas inequívocas” de que Navalny foi envenenado pelo agente nervoso do tipo Novichok.

Bachelet destacou que é responsabilidade das autoridades russas “investigar completamente” quem foi o responsável pelo crime “muito grave” cometido em solo russo. 
Michelle Bachelet disse que deve ser garantida a proteção dos direitos humanos dos cidadãos do país, incluindo Navalny.

Nesta terça-feira, agências de notícias citaram os médicos que atendem o opositor russo como tendo dito que ele “reagiu” ao ter sido abordado pela equipe no hospital onde está internado desde 22 de agosto. 

Casos 

Os médicos realçaram que ele sairá do coma induzido “por etapas” depois de se ter confirmado o envenenamento na Rússia.

Bachelet considera “profundamente perturbador” o número de casos de envenenamento naquela país, ou outras formas de assassinato seletivo ocorridos nas últimas duas décadas. Entre as vítimas contam-se cidadãos russos atuais ou ex-cidadãos “dentro da própria Rússia ou em solo estrangeiro”.

Para a chefe de direitos humanos, a falha em muitos casos em responsabilizar os autores e em fazer justiça e trazer a verdade para as vítimas ou suas famílias “é profundamente lamentável e difícil de explicar ou justificar”.

A representante realça que os “agentes nervosos e isótopos radioativos como Novichok e Polônio-210 são substâncias sofisticadas extremamente difíceis de obter”. De acordo com a nota, estes não se encontram “em uma farmácia, loja de fazenda ou de ferragens.”

Questões

Para ela, são levantadas inúmeras questões sobre o motivo, o usuário e forma de aquisição desses agentes.  Bachelet também destaca que, antes de ser envenenado, Alexei Navalny havia sido repetidamente perseguido, preso e agredido por autoridades e agressores desconhecidos.

A alta comissária ressalta que Alexei Navalny é “claramente alguém que precisava da proteção do Estado, mesmo sendo um espinho político no lado do governo”.

 

♦ Receba atualizações diretamente no seu email - Assine aqui a newsletter da ONU News
♦ Baixe o aplicativo/aplicação para - iOS ou Android
♦ Siga-nos no Twitter! Assista aos vídeos no Youtube e ouça a rádio no Soundcloud