Mais de 10 mil profissionais de saúde na África infetados com Covid-19

24 julho 2020

OMS destaca ampliação da prevenção e medidas de controlo para inverter a tendência; exposição de pacientes assintomáticos é um fator de risco ao pessoal nos hospitais; arrancam este fim de semana as embarcações humanitárias da agência para cobrir necessidades sanitárias de 47 países africanos. 

A Organização Mundial da Saúde, OMS, alertou hoje sobre a ameaça da Covid-19 nos trabalhadores da saúde em África. Mais de 10 mil agentes de saúde foram infetados nos 40 países que relataram sobre sua situação epidemiológica, numa altura em que os casos parecem estar a ganhar ritmo no continente.

Criança usa máscara em Joanesburgo, na África do Sul, que atualmente está entre os países mais atingidos do mundo. Foto: Unicef/Shiraaz Mohamed

Ponto crítico

Com mais de 750 mil casos contabilizados e mais de 15 mil mortos, alguns países africanos aproximam-se do pico da doença, o que pode colocar sob pressão os sistemas de saúde. A África do Sul figura atualmente entre os países mais atingidos do mundo.

Para a diretora regional da OMS, Matshidiso Moeti que falava sobre a infeção nos trabalhadores de saúde em África numa conferência de imprensa virtual, “O crescimento que estamos vendo nos casos de Covid-19 coloca uma tensão cada vez maior sobre os serviços sanitários do continente”.

“Isto acarreta serias consequências nos indivíduos que nele trabalham, e o crescente número de infeções nos trabalhadores de saúde é o exemplo mais preocupante disto”, disse a chefe da agência da ONU, acompanhada dos ministros de saúde do Burkina Fasso e da Serra Leoa.        

Fragilidades

Um estudo da OMS inspecionou cerca de 30 mil instalações de saúde em África e concluiu que apenas 16% conseguiram implementar mais de 75% das medidas de controlo e prevenção da infeção, 2 213 têm capacidade de isolamento, e apenas um terço dispõe de condições para fazer triagem.

Cerca de 10% de todos os infetados no mundo são agentes de saúde, contudo os casos variam de país para país. Segundo dados preliminares, a taxa de infeção no pessoal de saúde ultrapassa 5% dos casos em 14 países da África Subsaariana, em quatro dos quais, mais de 10% de todos os infetados são trabalhadores de saúde.

Matshidiso Moeti considerou os profissionais de saúde de “mães, irmãos e irmãs que estão a ajudar a salvar vidas ameaçadas pela Covid-19. Devemos, segundo ele, assegurar que tenham equipamentos, competências e informações necessárias para se manterem seguras e garantirem segurança a seus pacientes e colegas”.   

Unicef/Frank Dejongh
Mãe e filha marfinenses usam máscaras de proteção contra o coronavírus em um centro de saúde em Abidjan.

Fatores de risco

Em comunicado, a OMS aponta o acesso inadequado aos equipamentos de proteção individual e a fraca prevenção como condições que elevam os riscos de infeção. Situações incluem o reaproveitamento indevido do pessoal, a sobrecarga, o desgaste e a negligência na aplicação dos procedimentos operacionais.  

A agência da ONU já formou mais de 50 mil agentes de saúde na prevenção e controlo da infeção. Projeta formar ainda cerca de 200 mil outros, fornecendo documentos de orientação e diretrizes sobre melhores práticas de atendimento e regimes de tratamento mais atualizados.

Em duas semanas, a Serra Leoa baixou as infeções por Covid-19 no pessoal de saúde de 16 para 9% enquanto a Cote d`Ivoire conseguiu reduzir a proporção das infeções de 6,1 para 1.4%.

*Amatijane Candé para a ONU News.

 

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