OMS diz que número de pessoas tratadas contra tuberculose foi recorde em 2018
BR

17 outubro 2019

Ao todo foram 7 milhões de pacientes, 600 mil a mais que no ano anterior; Angola, Brasil e Moçambique aparecem em lista de 30 países com maior incidência de casos; apesar dos avanços 3 milhões de doentes não tiveram acesso aos remédios.

A Organização Mundial da Saúde, OMS, informou que o ano de 2018 registrou o maior número de pessoas tratadas contra a tuberculose, em todo o mundo.

Segundo a agência, o resultado deve-se em grande parte a melhores testes de detecção e diagnósticos.

Meta

Nesta quinta-feira, a OMS lançou o Relatório Global sobre a Tuberculose indicando que 7 milhões de pessoas foram diagnosticadas e tratadas contra a doença. No total, 600 mil a mais que no ano anterior.  Com isso, foi possível cumprir um dos marcos para as metas da declaração política das Nações Unidas sobre a tuberculose.

A tuberculose é uma doença curável e evitável. Ela é causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis, que frequentemente afeta os pulmões.

Segundo o relatório, a maior incidência de tuberculose ocorreu em oito países. A Índia lidera a lista com mais de 2,6 milhões de casos, seguida pela China com 866 mil, Indonésia, com 845 mil, Paquistão, com 562 mil, Filipinas, com 591 mil, Nigéria, com 429 mil e África do Sul com 301 mil.

Lusófonos

Três países lusófonos estão na lista de 30 nações com alta incidência da doença combinada com HIV. Moçambique aparece com 162 mil casos, Angola, com 109 mil e Brasil com 95 mil.  

Guiné-Bissau teve 6,8 mil casos, Timor Leste 6,3 mil, Portugal 2,4 mil, São Tomé e Príncipe 260 e Cabo Verde 250.

O Sudeste da Ásia foi a região com o maior número de casos em 2018, com 1,98 milhão, seguida do Pacífico Ocidental, com 1,92 milhão, da África com 1,06 milhão e das Américas, com 1 milhão.

Brasil, China, Federação Russa e Zimbábue, todos com altas taxas de tuberculose, alcançaram níveis de cobertura de tratamento superiores a 80%.

Dados do estudo da OMS também mostram que o ano de 2018 também viu uma redução no número de mortes por tuberculose. No total, 1,5 milhão de pessoas morreram por causa da doença, em comparação com 1,6 milhão em 2017.

A Declaração Política da ONU sobre Tuberculose em 2018 incluiu 4 novas metas globais:

  • Tratar 40 milhões de pessoas contra a tuberculose no período de cinco anos, entre 2018 e 2022 (7 milhões em 2018)
  • Alcançar pelo menos 30 milhões de pessoas com tratamento preventivo para uma infecção latente de tuberculose no período de cinco anos, entre 2018 e 2022
  • Mobilizar pelo menos US$ 13 bilhões por ano para o acesso universal ao diagnóstico, tratamento e assistência contra a tuberculose até 2022
  • Mobilizar pelo menos US$ 2 bilhões anualmente para pesquisa da tuberculose

Casos

O número de novos casos vem diminuindo constantemente nos últimos anos. No entanto, a incidência permanece alta entre as populações de baixa renda e marginalizadas. Entre estas, cerca de 10 milhões de pessoas contraíram a doença em 2018.

O diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, disse que os resultados apresentados são uma prova de que é possível alcançar as metas globais se todos se unirem para isso. Para ele, a data de lançamento do estudo marca “a passagem da primeira etapa no esforço de alcançar pessoas que estão perdendo serviços para prevenir e tratar a tuberculose.”

Meta

O estudo da OMS destaca que o mundo deve acelerar o progresso se quiser alcançar a meta de desenvolvimento sustentável de erradicar a tuberculose até 2030. O relatório também observa que cerca de 3 milhões de pessoas com tuberculose ainda não estão recebendo os cuidados que precisam.

Atualmente, em muitos países, a frágil infraestrutura de saúde e a escassez de mão-de-obra dificultam o diagnóstico a tempo e os tratamentos certos para a tuberculose. Sistemas de notificação fracos são outro problema.

Segundo a OMS, os agentes de saúde podem tratar as pessoas, mas não relatam casos às autoridades nacionais, deixando uma imagem incompleta das epidemias e necessidades de serviços nacionais. Além disso, até 80% dos pacientes com tuberculose em países altamente atingidos gastam mais de 20% de sua renda familiar anual no tratamento da doença.

Para Tedros, “o progresso sustentado da tuberculose exigirá sistemas de saúde fortes e um acesso melhor aos serviços.” Para o chefe da OMS, isso significa um investimento renovado na atenção primária à saúde e um compromisso com a cobertura universal de saúde.”

Medicamentos

A resistência aos medicamentos continua sendo outro impedimento para o fim da tuberculose. Em 2018, foram identificados cerca de meio milhão de novos casos de tuberculose resistentes a medicamentos. Apenas uma em cada três dessas pessoas havia sido registrada para tratamento.

A nova orientação da OMS visa melhorar o tratamento da tuberculose multirresistente, mudando para terapias totalmente orais que são mais seguras e eficazes. A indicação faz parte de um pacote maior de etapas divulgadas em 24 de março de 2019, Dia Mundial da Tuberculose. O objetivo é ajudar os países a acelerar os esforços para acabar com a doença.

Financiamento

A luta contra a tuberculose permanece cronicamente subfinanciada. A OMS estima que o déficit para prevenção e tratamento em 2019 seja de US$ 3,3 bilhões.

O maior doador bilateral é o governo dos EUA, que fornece quase 50% do financiamento total de doadores internacionais para a tuberculose, quando combinado com fundos canalizados e alocados pelo Fundo Global.

A Estratégia Global sobre Tuberculose aprovada pela Assembleia Mundial da Saúde visa uma redução de 90% nas mortes por tuberculose e uma redução de 80% na taxa de incidência da doença até 2030, em comparação com os níveis de 2015.

 

 

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