Guterres diz que “violência sexual em zonas de conflito é ameaça à segurança coletiva”

Vítima de estupro no Sudão do Sul conta sua história em um local não revelado perto da cidade de Bentiu, (Dezembro de 2018)
Unmiss/Isaac Billy
Vítima de estupro no Sudão do Sul conta sua história em um local não revelado perto da cidade de Bentiu, (Dezembro de 2018)

Guterres diz que “violência sexual em zonas de conflito é ameaça à segurança coletiva”

Paz e segurança

Dia Internacional para a Eliminação da Violência Sexual em Conflito marcado esta quarta-feira; ONU organiza um painel de discussão com o tema "A Importância de uma Abordagem Centrada no Sobrevivente".

O secretário-geral da ONU afirmou esta quarta-feira que “a violência sexual em zonas de conflito é uma ameaça a nossa segurança coletiva e uma mancha para a humanidade.”

Em mensagem sobre o Dia Internacional para a Eliminação da Violência Sexual em Conflito, marcado neste 19 de junho, António Guterres disse que esse tipo de violência é usado "como tática de guerra, para aterrorizar as pessoas e desestabilizar as sociedades.”

Guterres diz que “violência sexual em zonas de conflito é ameaça à segurança coletiva”

Efeitos

Segundo o chefe da ONU, “os seus efeitos podem ser sentidos através de gerações pelo trauma, pelo estigma, pela pobreza, pelos problemas de saúde a longo prazo e pela gravidez indesejada.”

Guterres diz que é preciso “ouvir os sobreviventes e reconhecer as suas necessidades e exigências.” Segundo ele, “a maioria das vítimas são mulheres e meninas, mas também homens e meninos, que pedem ajuda para ter acesso a serviços de saúde vitais, à justiça e à indemnização.”

O secretário-geral também destaca as pessoas que trabalham nas linhas de frente, ajudando diretamente as vítimas a reconstruírem as suas vidas, e afirma que a resposta global deve “incluir uma ação mais coordenada para garantir a responsabilização dos autores e abordar a desigualdade de gênero que alimenta estas atrocidades.”

10 anos

Jehan, de 17 anos, fugiu de casa, no Iêmen, devido a violência sexual. Agora, vive em um abrigo.
Jehan, de 17 anos, fugiu de casa, no Iêmen, devido a violência sexual. Agora, vive em um abrigo. , by Ocha/Giles Clarke

Este ano marca o 10º aniversário do estabelecimento do mandato do representante especial do secretário-geral sobre Violência Sexual em Conflito.

Segundo a ONU, na última década, houve uma mudança de paradigma na compreensão desse flagelo. Apesar disso, “continua a ser essencial reconhecer e combater a desigualdade de gênero como causa principal e impulsionadora da violência sexual, em tempos de guerra e paz.”

As Nações Unidas defendem uma abordagem Centrada no Sobrevivente. Essa abordagem tem várias facetas, incluindo assistência médica e psicossocial, cuidados de saúde sexual e reprodutiva, apoio educacional, econômico e de subsistência, justiça para os sobreviventes e filhos e o fim da impunidade para os autores dos crimes.

Evento

Para marcar o dia, a ONU organiza um painel de discussão com o tema "A Importância de uma Abordagem Centrada no Sobrevivente".

A iniciativa acontece na sede da organização, em Nova Iorque, e deve ser uma oportunidade para compartilhar as melhores práticas e lições aprendidas sobre a questão.

A discussão pretende também chamar a atenção para a necessidade de uma abordagem que ajude a aumentar a resiliência dos indivíduos afetados, minimizando o risco de trauma, ostracismo social, estigma e represálias.