OMS lança aplicação móvel para ajudar a detetar perda auditiva

3 março 2019

Dia Mundial da Audição é celebrado a 3 de março; intervenção atempada pode evitar a perda de qualidade de vida; cerca de 5% da população mundial, 466 milhões de pessoas, têm deficiência auditiva incapacitante.

A Organização Mundial da Saúde, OMS, lançou uma aplicação gratuita para dispositivos móveis que permite aos utilizadores verificar o nível da sua audição.

A ferramenta é direcionada para aqueles em risco de perda auditiva ou que já experimentam alguns dos sintomas relacionados com perda de audição.

Perda de Audição

O médico otorrinolaringologista, Leonel Luís, explica que há cada vez mais casos de perda auditiva em pessoas cada vez mais jovens.Foto: arquivo pessoal

O lançamento surge no contexto do Dia Mundial da Audição, que se celebra este domingo, 3 de março.

Entre os que beneficiarão desta nova ferramenta estão pessoas frequentemente expostas a elevados níveis de som. Entre elas, pessoas que ouvem música com volume alto ou trabalham em lugares barulhentos, que tomam medicamentos prejudiciais para a audição e com idade acima dos 60 anos.

A OMS estima que mais de 5% da população mundial, 466 milhões de pessoas, têm deficiência auditiva incapacitante. Um número que até 2050 poderá subir para os 900 milhões, ou seja, uma em cada 10 pessoas. Uma realidade confirmada pelo otorrinolaringologista português, Leonel Luís.

" Cada vez mais temos pessoas com perda de audição, com dificuldades de audição e cada vez mais pessoas mais jovens. Aliás, cada vez também temos cada vez mais doentes com um problema que está relacionado com a perda de audição que é o zumbido.”

O zumbido é um dos sintomas que indicam o início da perda auditiva tal como a tendência para aumentar o volume de aparelhos de televisão ou rádio.

Cuidados

Entre os que beneficiarão desta nova ferramenta estão pessoas que frequentemente expostas a elevados níveis de som.ONU Mulheres/ Faith Bwibo

A OMS informa que a deteção precoce da perda auditiva é crucial para identificar comportamentos de risco que precisam de ser alterados e averiguar a intervenção mais apropriada para enfrentar o problema.  Leonel Luís explica porquê.

“A prevenção em primeiro lugar e em seguida, de facto, o diagnóstico precoce. De forma a, efetivamente, a prevenirmos o desenvolvimento, de zumbidos, das alterações de sono e de humor relacionadas com esse fenómeno, e por outro lado, tentarmos não só diminuir a exposição ao fator de risco como é o caso do ruído como iniciarmos uma reabilitação o mais precoce possível.”

Em nota, o diretor do Departamento da OMS para o Tratamento de Doenças Não Transmissíveis, Etienne Krug, enfatiza que “muitas pessoas com deficiência auditiva não sabem disso e, como tal, perdem oportunidades educacionais, profissionais e da vida quotidiana". Por isso, o responsável lembra que “verificações regulares de audição garantem que a perda auditiva seja identificada e tratada o mais cedo possível."

É possível também possível definir lembretes para fazer o teste regularmente. O aplicativo pode ser usado também profissionais de saúde.Unicef/ UN014974/Estey

Aplicação

A aplicação da OMS, chamada “hearWHO” em inglês, utiliza uma tecnologia que mede o ruído através de dígitos. Os utilizadores são testados e inserem nos seus dispositivos móveis uma série de três números. A aplicação exibe a pontuação e armazena o resultado do teste para que o usuário possa monitorizar os níveis da sua audição ao longo do tempo.

É possível também possível definir lembretes para fazer o teste regularmente. O aplicativo pode ser usado também profissionais de saúde, com o objetivo de facilitar a triagem auditiva, especialmente em ambientes com poucos recursos.

A assessora técnica da OMS, Shelly Chadha, considera que esta ferramenta ajudará, acima de tudo, “a aumentar a consciencialização sobre a importância dos cuidados auditivos” porque “uma vez perdida, a audição não volta.”

 

 

 

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