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ONU alerta para sub-representação no Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência

Uma menina vietnamita estuda através de um microscópio em uma sala de aula de ciências. Outros alunos são visíveis ao fundo.
ONU Mulheres Vietname/ Pham Quoc Hung De acordo com a Agência das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura, Unesco, menos de 30% dos investigadores no mundo são mulheres.

ONU alerta para sub-representação no Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência

Mulheres

Secretário-geral destaca que situação é crónica; tema deste ano é "Investimento em mulheres e meninas na ciência para um crescimento verde inclusivo"; investigadora portuguesa relata como era a única aluna na sala de aula.

As Nações Unidas apontam que a ciência e a igualdade de género são essenciais para alcançar as metas internacionais de desenvolvimento, incluindo a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. Por isso, 11 de fevereiro é, desde há quatro anos, o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência.

A organização reconhece o grande esforço feito nos últimos 15 anos para inspirar e envolver o género feminino no mundo cientifico. No entanto, mulheres e meninas continuam a ser excluídas da participação plena nesse campo.

Alerta

Uma professora de jaleco branco mostra um modelo molecular 3D aos alunos em uma sala de aula de ciências.
Para as Nações Unidas, os estereótipos de género continuam a distanciar meninas mulheres das disciplinas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática em todo o mundo.Unicef/ UNI41272/Pirozzi

Em mensagem especial, o secretário-geral da ONU, António Guterres, destaca que as mulheres e meninas “são vitais” na ciência, na tecnologia, na engenharia e na matemática e impulsionam a inovação em todas essas áreas.”

Guterres alerta que, no entanto, o sexo feminino permanece “terrivelmente sub-representado” destacando que os “estereótipos de género, a falta de modelos, de políticas sem qualquer apoio, ou mesmo hostis, podem impedi-las de seguir essas carreiras.”

De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura, Unesco, menos de 30% dos investigadores no mundo são mulheres.

No mundo, o número de estudantes do sexo feminino é particularmente baixo nas Tecnologias de Informação, TIC. Apenas 3%, nas ciências naturais, na matemática e na estatística é de 5% e em engenharia, manufatura e construção é de 8%.

História

Essa realidade é ilustrada pela investigadora portuguesa Micaela Fonseca. A professora universitária doutorada em Física Nuclear partilhou com a ONU News, a partir de Lisboa, como é ser a única mulher na sala de aula.

“Nos últimos anos de curso fui a única mulher nas aulas. Foi uma experiência muito interessante, estou muito habituada a trabalhar no meio dos homens. Mas nós como mulheres, a aceitação e a forma de lidarmos e de trabalharmos na investigação, eu acho que já percorremos muito, mas eu acho que ainda temos um caminho a percorrer em termos de aceitação.”

Siga a entrevista na íntegra com a investigadora Micaela Fonseca: 

Soundcloud

Este ano,  a data é celebrada sob o tema "Investimento em mulheres e meninas na ciência para um crescimento verde inclusivo."

Para as Nações Unidas, os estereótipos de género continuam a distanciar meninas mulheres das disciplinas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática em todo o mundo.

Progressos

Meninas palestinas estudando em uma carteira compartilhada em uma sala de aula em Gaza.
Guterres reforça a ideia de que é necessário “promover o acesso a oportunidades de aprendizagem para mulheres e meninas, particularmente nas áreas rurais”.Unicef/ UNI6786/El Baba

Embora as mulheres tenham feito enormes progressos no sentido de aumentar sua participação no ensino superior, elas ainda estão sub-representadas nesses campos.

A investigadora confirma que, no caso português, tem havido uma evolução positiva.

“Eu noto desde que eu entrei para a faculdade até agora, que há muito mais mulheres.   Eu acho que há muito mais vontade e a sociedade já evolui imenso para termos igualdade e não haver qualquer discrepância nem qualquer problema seja mulher ou homem. Mesmo a sociedade na parte da gestão há um grande esforço nesse sentido.”

O secretário-geral, António Guterres, termina a sua mensagem reforçando a ideia de que é necessário “promover o acesso a oportunidades de aprendizagem para mulheres e meninas, particularmente nas áreas rurais”.

O representante lembra a urgência de “mudar a cultura do local de trabalho, para que as meninas que sonham em ser cientistas, engenheiras e matemáticas possam desfrutar de carreiras satisfatórias nesses campos.”

Para assinalar este Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, serão organizados vários eventos na sede das Nações Unidas em Nova Iorque. Portugal co-promoverá  dois deles para promover a data. 

Assista à mensagem do secretário-geral da ONU sobre o  Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência: