ONU precisa de US$ 383 milhões para ajudar 1,6 milhão de pessoas no Níger

5 fevereiro 2019

Cerca de 2,3 milhões de pessoas poderão precisar de assistência humanitária; número corresponde a mais de 10% da população nacional; desastres naturais, subnutrição, insegurança e deslocamento interno são alguns dos grandes desafios.

As Nações Unidas e os seus parceiros estão pedindo US$ 383 milhões para prestar ajuda humanitária a cerca de 1,6 milhão de pessoas no Níger.

Em 2019, estima-se que 2,3 milhões de pessoas necessitarão de assistência humanitária no país. O número equivale a 10,4% da população total do país da África Ocidental.

A insegurança alimentar é um dos desafios no país, by Foto ONU/PMA/Phil Behan

Necessidades

Nos últimos anos, o Níger enfrentou múltiplas crises humanitárias, resultado de causas estruturais e cíclicas. Esses desafios aumentaram a vulnerabilidade de milhões de pessoas que já lutavam contra a pobreza.

A violência entre comunidades também agrava a situação. Em nota, a coordenadora humanitária do Níger, Fatoumata Bintou Djibo, disse que “mulheres e crianças são as primeiras vítimas desta violência e sofrem grandes traumas.”

Segundo a representante, apesar de uma melhora significativa na situação na região de Diffa, “no momento não existe perspectiva de retorno para as famílias deslocadas."

Ajuda

O plano para 2019 pretende lançar uma estratégia de três anos para responder às necessidades mais imediatas. O plano também pretende permitir a recuperação a longo prazo das comunidades mais vulneráveis.

A coordenadora explica que a estratégia humanitária visa alcançar três objetivos estratégicos. Bintou Djibo destacou o "fortalecimento da proteção da população civil, aumento da resposta de emergência e melhoria de condições de vida e fortalecimento dos meios de subsistência.”

Desafios

Além da insegurança, o Níger continua a enfrentar cinco grandes desafios.  Primeiro, a insegurança alimentar, com cerca de 1,5 milhão de pessoas precisando de assistência em 2019.

Em segundo lugar, a subnutrição. Perto de 1,8 milhão de pessoas precisarão de assistência nutricional esse ano. Entre elas estão mais de 380 mil crianças com menos de cinco anos que sofrem de subnutrição aguda, e perto de 304 mil mulheres grávidas e lactantes.

Outro desafio é o deslocamento interno, causado pela insegurança, pelo conflito e pela instabilidade. Apenas na região de Diffa existem 120 mil refugiados, 104 mil deslocados internos e quase 26 mil retornados.

Desastres naturais também pioram a situação no país, que é atingido por graves inundações todos os anos. Desde 30 de setembro de 2018, mais de 208 mil pessoas foram afetadas diretamente pelas enchentes. Estima-se que cerca de 170 mil pessoas possam precisar de assistência em 2019.

Por fim, os parceiros humanitários temem que epidemias se espalhem, devido a fatores como movimentos de população, inundações, insegurança alimentar, aumento de pessoas não vacinadas, acesso inadequado a serviços sociais de saúde e sistemas de higiene insuficientes.

Financiamento

Apesar do novo apelo, o Plano de Resposta Humanitária de 2018 ainda não está completamente financiado. De acordo com o escritório, dos US$ 338,3 milhões pedidos, apenas foram angariados US$ 176,3 milhões, deixando uma lacuna de financiamento de 48%.

A coordenadora humanitária disse "acreditar que a solidariedade nacional e internacional será mais alta do que nunca, permitindo alcançar os objetivos e resultados esperados para 2019."

 

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