ONU avisa que milhares de sírios continuam isolados ou precisam decidir sobre seu regresso

16 novembro 2018

Reunião humanitária aconteceu em Genebra; mais de 40 mil pessoas vivem em acampamento sitiado onde ajuda chegou pela primeira vez este mês; nova lei exige que deslocados e refugiados provem propriedade de casas no prazo de um ano.

O conselheiro especial do enviado especial da ONU para a Síria, Jan Egeland, declarou na quinta-feira que milhares de sírios estão presos ou enfrentam escolhas difíceis sobre voltar para casa.

O representante fez o alerta no final de uma reunião humanitária regular das Nações Unidas sobre a Síria, que aconteceu em Genebra.

Criança em escola de Idlib, na Síria, vítima de ataques. , by UNICEF

Negociações

Falando a jornalistas no final do encontro, Egeland informou que “a Rússia e a Turquia disseram que farão grandes esforços para evitar a ação militar e uma escalada do conflito armado em Idlib desde que suas forças e bases não sejam atacadas.” Segundo ele, os dois países “trabalham para evitar um derramamento de sangue.”

O conselheiro disse que os últimos dois meses em Idlib foram os mais calmos dos últimos cinco anos, sem ataques aéreos. Apesar disso, milhares de rebeldes, incluindo combatentes considerados terroristas pela ONU, permanecem na cidade.

Egeland afirmou que uma das preocupações  é não ter visto estes grupos dizendo que vão depor as armas, buscar amnistia ou ser reintegrados de alguma forma.

Para o especialista, “há muitos sinais de maus acontecimentos se não existirem mais avanços nas negociações com os numerosos grupos armados.”

Ele lembrou que “as forças do Estado Islâmico que usam civis como escudos humanos violam todas as regras”, mas que o outro lado não se pode esquecer que estas mulheres e crianças também merecem proteção.

Lei

Milhões de refugiados enfrentam agora o desafio de recuperar suas casas, devido a um nova lei. A chamada Lei 10 foi aprovada pelo Parlamento e promulgada no domingo pelo presidente sírio.

Ajuda chegou ao campo de Rukban, pela primeira vez, no início de novembro, by UNICEF

Segundo as novas regras, as pessoas têm um ano para comprovar a posse das suas casas e terrenos antes que o Estado tome posse. Egeland explicou que isso pode ser muito complicado quando as pessoas vivem a milhares de quilómetros de distância, num campo de refugiados.

O conselheiro afirmou que está "implorando para que a implementação da lei não retire a terra dos civis que fugiram da guerra".

Rukban

Egeland também falou da situação de mais de 40 mil civis que estão em Rukban, um acampamento isolado na fronteira com a Jordânia.

Na última semana, pela primeira vez, ajuda humanitária conseguir chegar à região. Uma comitiva de 78 caminhões chegou ao acampamento e outra deve chegar em meados de dezembro.

Egeland disse que os trabalhadores humanitários “conseguiram navegar por algumas das áreas mais perigosas da Síria" e que foram distribuídos alimentos, itens de saúde e sanitários e sistemas de purificação de água suficientes para pelo menos um mês.

 

 

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