OMS: o mundo está preparado para uma nova pandemia de gripe?
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15 outubro 2018

Organização Mundial da Saúde lançou guia multimídia especial com informações diversas sobre a gripe; de acordo com a agência, apesar de não ser considerada grave, a gripe sazonal pode matar até 650 mil pessoas por ano.

O ano de 2018 marca os 100 anos da pandemia da gripe espanhola. Um novo guia multimídia da Organização Mundial da Saúde, a OMS, chamado Spotlight destaca lições aprendidas com as pandemias ocorridas no passado, como a da gripe espanhola, que matou cerca de 50 milhões de pessoas no mundo.

A estimativa de número de mortos na primeira Guerra Mundial, por exemplo, é de 17 milhões de pessoas.

De acordo com a OMS, a gripe sazonal chega a matar até 650 mil pessoas por ano, by Opas/OMS/Jane Dempster

Vacina

O guia da OMS também revela como o mundo está preparado para enfrentar novas crises e como o trabalho para lidar com a gripe sazonal pode aumentar a capacidade de preparação para pandemias no futuro.

O Spotlight traz ainda dicas de como evitar a gripe e o que fazer quando se está doente. Entre ações de prevenção estão lavar as mãos e beber bastante líquidos. O guia também tem os cinco mitos mais comuns em relação às vacinas da gripe.

Para a agência, muitas pessoas não tratam a doença como seriedade. Sintomas como dor de cabeça, vias respiratórias congestionadas, tosse e dor muscular podem confundir as pessoas a pensarem que estão com um resfriado severo.

De acordo com a agência, a gripe sazonal chega a matar até 650 mil pessoas por ano. 

Para a OMS, isso justifica a importância da vacina contra a gripe, principalmente para proteger as crianças, os idosos, as mulheres grávidas ou as pessoas com o sistema imunológico vulnerável.

Novas Pandemias

O Spotlight chama atenção para o fato dos vírus da gripe estarem em constante mutação. Quando aparece um novo agente que pode facilmente infectar as pessoas e se espalhar, com a maioria das pessoas não tendo imunidade a este vírus, a situação pode se tornar uma pandemia.

O diretor do Programa Mundial da Gripe da OMS, Wenging Zhang, acredita que “outra pandemia causada por um novo vírus da gripe certamente ocorrerá, mas não se sabe quando, qual será a estirpe do vírus e como será a gravidade da doença.”

Os agentes patógenos ignoram fronteiras, classes sociais, condições econômicas e até mesmo a idade. Normalmente, a gripe típica mata mais jovens e idosos. Mas a gripe espanhola de 1918 por exemplo, foi excepcionalmente mortal entre homens com idades entre 20 e 40 anos.

A agência da ONU também lembra que pandemias prejudicam a economia e funções sociais como escolas e trabalhos e têm impacto expressivo nos sistemas de saúde dos países.

O guia Spotlight da OMS inclui vídeos de como os países lideram com a pandemia da gripe de 2009. Abaixo, você confere o vídeo com o caso do Brasil (em inglês).

Prevenção e Combate

Como mostra o guia da OMS, o mundo hoje tem mais ferramentas para enfrentar uma pandemia. A diretora do Departamento de Gestão de Riscos Infecciosos da OMS, Syvie Briand, declarou que “agora mais do que nunca se tem a habilidade de atenuar os impactos das doenças, salvar vidas e reduzir os custos sociais,
mas os esforços de preparação dos países devem ser mantidos e devem integrar intervenções inovadoras que salvam vidas.” A Organização Mundial da Saúde e parceiros  trabalham na renovação da Estratégia Mundial da Gripe. O material deve ajudar os países a desenvolverem capacidades de controle e prevenção da gripe sazonal.

A estratégia tem como prioridades preparar a gripe, a prevenção, controle, pesquisa e inovação. De acordo com a OMS, menos da metade de todos os países têm atualmente um plano nacional de preparação para pandemias. 

Cinco cuidados que devem ser tomados quando se está com gripe

Esta segunda-feira, 15 de outubro, é o Dia Mundial da Lavagem das Mãos, by Unicef/Reto Albertalli
  1. Cobrir a boca e o nariz quando tossir e espirrar.
  2. Lavar as mãos regularmente.
  3. Beber bastante água e descansar.
  4. Se você tiver um sistema imunológico vulnerável, você pode precisar de antivirais.
  5. Não tome antibióticos, eles não funcionam contra o vírus da gripe ou do resfriado.

 

Cinco cuidados para evitar a gripe

  1. Tome a vacina contra gripe todos os anos. Mesmo que você fique gripado, os sintomas serão mais fracos.
  2.  Evite ficar próximo de pessoas que estão doentes.
  3. Tente não tocar os olhos, nariz e boca. De contrário, os germes podem entrar no seu organismo.
  4. Limpe e desinfete as superfícies se você estiver dividindo a casa com alguém que esteja doente.
  5. Lave as mãos regularmente.

Cinco mitos sobre a vacina da gripe

  • Mito 1: A gripe não é uma doença séria, por isso eu não preciso tomar vacina. 

Fato: Cerca de 650 mil pessoas podem morrer por causa da gripe por ano. Este número representa apenas as mortes por causas respiratórias, por isso, o impacto pode ser ainda  maior.  Até as pessoas saudáveis podem pegar gripe, mas principalmente aquelas com o sistema imunológico vulnerável.  A maior parte das pessoas se recupera em algumas semanas, mas algumas podem ter complicações incluindo sinusite e infecção de ouvido, pneumonia e inflamações no coração ou no cérebro.

OMS: Os agentes patógenos ignoram fronteiras, classes sociais, condições econômicas e até mesmo a idade, by ONU
  • Mito 2: A vacina da gripe pode me dar gripe

Fato: A vacina da gripe injetada contém um vírus inativo que não pode dar gripe. Se você sentir coceira ou febril, esta é uma reação normal do sistema imunológico à vacina, e normalmente dura um ou dois dias.

  • Mito 3: A vacina da gripe pode provocar efeitos colaterais graves

Fato: A vacina da gripe demonstrou segura. Efeitos colaterais sérios são extremamente raros. Uma em 1 milhão de pessoas desenvolve a Síndrome Guillain-Barré, que pode causar o enfraquecimento dos músculos e paralisia.  

  • Mito 4: Eu tomei a vacina e mesmo assim peguei gripe, por isso ela não funciona

  • Fato: Vários tipos de vírus da gripe estão em circulação todo o tempo. Por isso,  uma pessoa pode pegar gripe mesmo tendo tomado a vacina, já que o vírus é específico à uma estirpe. Porém, ao se vacinar, as chances de estar protegido são maiores. Isso é ainda mais importante para impedir que o vírus afete pessoas com sistemas imunológicos vulneráveis. 

 

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