Guterres cita desafios e progressos antes do debate de líderes mundiais na ONU

20 setembro 2018

Secretário-geral chama a atenção para situação de civis nos conflitos na Síria e no Iêmen; elogiadas recentes iniciativas pela paz em países africanos; novas estratégias dedicadas a jovens, objetivos globais e ação para manter a paz.

Os desafios de paz e segurança no mundo mereceram atenção do secretário-geral das Nações Unidas em declarações aos jornalistas esta quinta-feira, em Nova Iorque.

António Guterres saudou o acordo sobre a criação de uma zona desmilitarizada em Idlib, na Síria, alcançado pelos presidentes da Turquia, Recep Erdogan, e da Rússia, Vladimir Putin.

Crianças

O chefe da ONU frisou ainda que se esse compromisso for implementado, poderia ser salva a vida de mais de 3 milhões de civis, incluindo 1 milhão de crianças.

O apelo de Guterres é que haja forte empenho para executar o acordo para proteger civis e garantir o acesso de ajuda, cumprindo o direito humanitário e trabalhando com urgência em prol de maiores progressos no processo de Genebra.

Em relação ao Iêmen, Guterres pediu seriedade a todos os lados que participam no diálogo e que seus apoiantes evitem tomar medidas que possam agravar os combates.

O secretário-geral destacou que civis continuam a sofrer as consequências da guerra, incluindo de ataques aéreos das forças da aliança, combates de artilharia e o lançamento de mísseis contra as forças houthis.

Avanços

Em relação a progressos, Guterres citou situações como a declaração de paz da Etiópia e da Eritreia, elogiando a visão de um novo capítulo em suas relações.

O outro diálogo de paz citado pelo secretário-geral envolve os presidentes do Djibuti e da Eritreia que assinaram um acordo de paz no Sudão do Sul. O compromisso é considerado um passo na direção certa para a região e além.

Guterres falou do início do Debate de Alto Nível da Assembleia Geral na próxima semana destacando três eventos. Na segunda-feira, a ONU lança a estratégia Juventude 2030 e uma iniciativa com o nome Geração Sem Limites.

Segundo ele, os objetivos são “fazer mais para responder às aspirações dos jovens, em particular educação de qualidade e trabalhos decentes” e dar ao grupo “uma voz no processo de decisão”.

Para Guterres, isso “é crucial para o seu bem-estar e para o desenvolvimento dos países” e “também vai contribuir para prevenir radicalização”.

Financiamento

Também na segunda-feira, o chefe da ONU vai lançar uma estratégia para mobilizar financiamento para a Agenda 2030. Guterres disse que o mundo “precisa de um aumento de investimento nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.”

Para ele, é importante que todos os países desenvolvidos cumpram os compromissos assumidos. Quanto às Nações Unidas, continuarão a apoiar países em desenvolvimento para mobilizar recursos internos.

Guterres apelou “à comunidade internacional para tomar medidas muito mais eficazes para combater os fluxos ilícitos de capital, lavagem de dinheiro e evasão fiscal, que continuam a desviar os fundos necessários para o desenvolvimento”.

O chefe da ONU também disse que é preciso encontrar financiamento inovador e mobilizar investimentos privados. Sem isso, Guterres acredita que “os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável são inatingíveis”.

Veja neste vídeo, em inglês, a conferência de imprensa completa:

Processos 

O terceiro evento destacado por Guterres acontece na terça-feira e será dedicado à Ação pela Manutenção da Paz. O encontro vai reunir líderes dos Estados-membros e organizações regionais.

Guterres disse que o grande objetivo é “ajudar as missões a serem bem-sucedidas nos contextos prolongados e voláteis de hoje”.

Segundo ele, as forças de paz “enfrentam ameaças crescentes ao mesmo tempo que tentam implementar mandatos frequentemente grandes e complexos”. O secretário-geral afirmou que “o equipamento é muitas vezes inadequado e os processos políticos permanecem frágeis ou ausentes”.

Guterres disse ainda que a Declaração de Compromisso Compartilhado é uma “agenda clara e urgente” para estes objetivos e que o documento tem o apoio de 128 Estados-membros e organizações internacionais e regionais.

 

 

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