Unicef apoia radionovela que vai passar em mais de 100 estações de Moçambique

5 julho 2018

Agência da ONU participou com conteúdos e cerca de US$ 700 mil para produzir os  “Intxunáveis”; meta é promover comportamentos saudáveis em jovens e adolescentes com produtos de entretenimento.

Ambiente estudantil, vila fictícia e área de praia são os principais atrativos de uma nova radionovela que a partir de 11 de julho irá animar ouvintes de 115 rádios de Moçambique.

A produção “Intxunáveis” vai se espalhar através das ondas de rádio, com o apoio do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef. “Intxunáveis”,  como se chamam os protagonistas da radionovela, é uma gíria usada para quem “não se deixa impressionar”.

Litoral

A história se desenrola no Lar Instituto Politécnico “O futuro é hoje” na vila imaginária de Nguva. O coordenador João Luso Bosse é da produtora PCI Media Impact e fala da produção que, além da agência da ONU, envolve a Rádio Moçambique e a Íris Imaginações.

Nova Radionovela "Intxunáveis" substitui “Ouro Negro” a partir deste julho. Foto: Unicef
Nova Radionovela "Intxunáveis" substitui “Ouro Negro” a partir deste julho. Foto: Unicef, by Foto: Unicef

“ Nguva uma vila que até então era pacata, a sociedade é matrilinear, Nguva que em Kiswahili significa Dudongo, eles acreditam que são descendentes dos Dugongos e que os seus antepassados são do mar. Por isso, prestam culto aos antepassados no mar. Tem uma régula que se chama Sereia Nguva, uma vila de pescadores onde os homens vão à pesca, as mulheres vendem. De repente, muda tudo quando se descobre que há gás e instala-se Instituto Politécnico “O futuro é hoje” e com isso estudante oriundos de vários cantos do país se concentram naquele local.”

Adolescentes

O Unicef apoia o projeto nas áreas de conteúdos e fundos. Falando à ONU News, de Maputo, o especialista de Desenvolvimento do Adolescente na agência, Massimiliano Sani, contou detalhes desta colaboração.

“O papel do Unicef é assegurar que as mensagens sejam tecnicamente adequadas e que, através do entretenimento, se promovam comportamentos saudáveis. O Unicef através dos seus especialistas e de outras agências como Fnuap, tem estado a rever todos os guiões assegurando, obviamente, que as estórias levem mensagem tecnicamente adequada. Por outro lado, também as pesquisas que o Unicef tem feito nas várias áreas são partilhadas com as equipas dos escritores e gestores do programa para que as estórias sejam inspiradas em factos reais dos moçambicanos.”

A produção da radionovela foi feita a contar com maior público em diversas plataformas de comunicação.

“Estamos alocar cerca de U$D 700 mil por ano, este valor cobre toda produção da radionovela, desde a conceção, as pesquisas, os salários dos escritores, pesquisadores. A emissão e feita em forma de de bónus pela Rádio Moçambique e, por outro lado, também a produção do programa ao vivo. Além disso, estamos a produzir também a transformação das estórias da radionovela no Facebook. As estórias são adaptadas para jovens que têm acesso à mídia digital e também algumas estórias estão a ser adaptadas para o teatro comunitário.”

Projeto

O Unicef já apoiou a radionovela “Ouro Negro” que termina já antes da estreia do novo projeto. O especialista disse que a nova produção, “Intxunáveis” terá grande audiência e poderá contribuir para a mudança de comportamento.

“Temos mais ou menos 20% à 25% de audiência de pessoas que escutam a rádio, que têm sido expostas à radionovela, dos quais mais ou menos 40% escutaram metade dos episódios. Então, é bastante encorajador em termos de audiência. Também temos bons relatos em termos de lembrança das mensagens-chaves. Não temos ainda estudos tão sofisticados sobre mudança de comportamento a nível quantitativo, mas fizemos várias pesquisas qualitativas que demonstram que os ouvintes estão a apreender.”

Salva de Fátima é uma das atrizes da radionovela e relata a sua experiência na nova produção. Ela encarna o personagem Indira, uma jovem que sonha cursar mecânica.

Futuro

“A parte difícil é voltar a ter 16 anos, enquanto já sou crescida. Por vezes, a fala tem que mudar um bocado porque a novela é retratada numa zona do norte. Nós temos todos que falar com sotaque. Então, esta parte do sotaque foi mais a complicada. É muito difícil fazer sotaque do Niassa enquanto estás em Maputo. Às vezes tentamos fazer um sotaque, sai o sotaque da Beira, depois temos que recordar, os dias passam e acabamo-nos esquecendo, essa foi a parte mais complicada.”

Os adolescentes e jovens que moram e estudam no Instituto Politécnico o "Futuro é hoje” em Nguva são de várias áreas moçambicanas e têm uma relação entre eles, com professores, a direção e a comunidade.

A encenação expõe diferenças de culturas, tradição e modernidade, mitos e ciência e como são tratadas questões como casamentos prematuros, gravidez precoce, água e saneamento, saúde e nutrição.

De Maputo para ONU News, Ouri Pota.

 

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