Grupos armados cometeram abusos em mais de 11,5 mil crianças na RD Congo BR

Virgínia Gamba disse que nos Kassais, em Tanganica e em outras províncias do leste destacam-se fatores como o “crescente caráter interétnico e a fraca ou ausente autoridade do Estado.
Foto ONU/Paulo Filgueiras
Virgínia Gamba disse que nos Kassais, em Tanganica e em outras províncias do leste destacam-se fatores como o “crescente caráter interétnico e a fraca ou ausente autoridade do Estado.

Grupos armados cometeram abusos em mais de 11,5 mil crianças na RD Congo

Paz e segurança

Mais de 900 menores sofreram violência sexual no país dos Grandes Lagos nos últimos quatro anos; grupos armados cometeram maior parte das violações; um terço foi da responsabilidade de forças de segurança congolesas.

Crianças foram vítimas de mais de 11,5 mil casos de abusos cometidos por 40 grupos armados na República Democrática do Congo, RD Congo.

As Nações Unidas também confirmaram mais de 900 casos de menores que sofreram violência sexual, envolvendo todas as partes do conflito do país dos Grandes Lagos.

Violações Graves

De acordo com o sexto Relatório do Secretário-Geral sobre Crianças e Conflitos Armados na RD Congo, lançado esta terça-feira, as violações graves em território congolês subiram em cerca de 60% nos últimos quatro anos, na comparação com o período entre 2010 a 2013.

Mais de mil crianças foram mortas e mutiladas no período analisado e esses atos ocorriam “muitas vezes da maneira mais brutal e cada vez mais baseada em sua etnia”. Os casos duplicaram em relação ao quadriénio anterior e “centenas de incidentes continuam por verificar” em províncias da região do Kassai e em Tanganica.

Para a representante especial do secretário-geral para Crianças e Conflitos Armados o que agravou a fragilidade infantil em graves violações foram o grande numero e a divisão de grupos e conflitos armados no leste, além de novas ondas de violência.

Grandes áreas

Virgínia Gamba disse que nos Kassais, em Tanganica e em outras províncias do leste destacam-se fatores como o “crescente caráter interétnico e a fraca ou ausente autoridade do Estado em grandes áreas” do território congolês.

Apesar da maior parte dos crimes ser atribuída aos grupos armados no período em análise, um terço deles é da responsabilidade de forças de segurança congolesas. Mas somente no ano passado estes delitos chegaram a 49%.

O secretário-geral manifestou preocupação com o “aumento no número de crianças mortas e mutiladas pelas forças de segurança nacional, incluindo pelo uso desproporcional da força e o alvejamento de crianças nos Kassais”.

Esforços 

A ONU destaca terem havido medidas das forças armadas congolesas, Fardc, para acabar e impedir o recrutamento e uso de crianças nas suas fileiras no âmbito do Plano de Ação assinado pelo Governo da RDC e pela Organização em 2012.

Para Virgínia Gamba,  não se pode subestimar a importância dessa conquista e estimulou o governo a redobrar seus esforços para conter a violência sexual contra crianças.

Para a representante, será essencial continuar a ação das Nações Unidas com as autoridades congolesas para dar oportunidade a todas as crianças de crescer em paz e protegidas dos efeitos do conflito.”

Kassais

O estudo revela ainda que os grupos armados continuaram a recrutar e a usar crianças “em grande escala”. Um terço deles tinha menos de 15 anos no momento em que foi recrutado.

Também subiu para metade o número de crianças usadas como combatentes. Estima-se que esses menores estejam mais ativos nas fileiras do Kamuina Nsapu, um grupo que atua no Kassais.

Apresentação: Daniela Gross.