Vozes de lusófonos marcam evento que pediu atenção a jovens no momento

31 maio 2018

Iniciativas, histórias e projetos marcaram Diálogo de Jovens na ONU; participantes de Portugal, Brasil e Guiné-Bissau falam de potencial e cooperação para dar mais poder ao grupo.

Representantes de países de língua portuguesa fizeram-se ouvir ao mundo no Diálogo de Jovens na ONU. O evento decorreu esta quarta-feira na Assembleia Geral.

 

Falando à ONU News, em Nova Iorque, o secretário de Estado da Juventude e Desportos de Portugal, João Paulo Rebelo, destacou a transição da educação ao emprego, um tópico que marcou o evento que também abordou a radicalização.

Emancipação

“Há evidências claras de que quanto maior for o nível de formação, digamos de educação do jovem, maior é a sua probabilidade de ter um melhor emprego, um emprego mais estável que lhe permita ter todas as condições para a sua emancipação. A emancipação é uma palavra-chave na juventude e é esta emancipação que se consegue, naturalmente, com um emprego e com a independência financeira de que precisa.”

O presidente do Conselho Nacional de Juventude de Portugal, Hugo Carvalho, disse que é importante que o jovem tenha instrumentos que precisa para se adaptar de forma mais fácil a um mundo em mudanças.

 

Profissão

“Eu tenho dito muitas vezes que nunca conheci um escritor profissional ou um datilógrafo, alguém que escrevesse à máquina. Mas sei que isso era uma profissão há 50 anos. Era preciso chamar um profissional para me escrever um texto à maquina. Eu hoje escrevo o dia todo. O que era na altura uma competência muito especifica hoje é uma competência banal, e que nos transporta para outros tipos de empregos e para outras coisas. Transformar a educação deve ter isso em mente. Talvez no futuro saber programar, por exemplo, seja tão importante como falar inglês ou como escrever um texto à máquina e nós temos que nos preparar para isso.”

Líder jovem do Brasil, Marcus Barão falou da participação do grupo na política como uma ferramenta essencial para transformar sociedades, e defendeu que essa mudança  começa com jovens. Ele preside o Conselho Nacional da Juventude do Brasil e o Fórum da Juventude da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, Cplp.

Brasil

“O desafio que se tem com a juventude hoje, e quando a gente fala de apatia em relação à política, é o despertar para compreender que a política está em tudo e afeta todas as pessoas. Quando a gente não se importa com a política, a gente vai ser governado por quem se importa. Então, cada vez mais é fundamental que a juventude brasileira seja despertada para esse papel. Temos visto isso numa série de manifestações nos últimos anos, mas agora é o desafio de a gente formar politicamente essa juventude como agentes da transformação.”

Para a guineense Aissatou Djaló, as lideranças local e global dependem uma da outra e os jovens podem ter um papel determinante. Ela lidera o Conselho Nacional da Juventude da Guiné-Bissau e no braço jovem da Cplp.

Diferença

“Como vice-presidente do Fórum da Juventude da Cplp, isso demonstra que os jovens africanos estão a assumir a liderança a nível da comunidade, não só dos seus países, mas também demonstrando que africanos podem criar novas lideranças. Essa liderança no Fórum demonstra mais uma aposta da juventude africana em contribuir para que a comunidade tenha uma boa governação e liderança. Que essa liderança possa fazer a diferença a nível da comunidade. ”

O evento na ONU exibiu iniciativas, histórias e projetos de jovens em vários painéis. Os participantes insistiram que deve ser dada atenção ao jovem no momento e não se esperar pelo futuro.

Apresentação: Eleutério Guevane.