Evento lembra brasileira Bertha Luz e outras mulheres pioneiras na criação da Carta da ONU BR

Evento “Mulheres e Origens das Nações Unidas – Um Legado do Sul”.
ONU News/Daniela Gross
Evento “Mulheres e Origens das Nações Unidas – Um Legado do Sul”.

Evento lembra brasileira Bertha Luz e outras mulheres pioneiras na criação da Carta da ONU

Mulheres

Diplomata, falecida em 1976, recebeu destaque nos discursos da mesa redonda “Mulheres e Origens das Nações Unidas – Um Legado do Sul”; chefe de gabinete de António Guterres, Maria Luiza Ribeiro Viotti, encerrou encontro como convidada de honra na reunião, ocorrida na terça-feira, na sede da ONU em Nova Iorque.

Especialistas em questões de gênero, representantes de governos e da sociedade civil lembraram nesta terça-feira o legado de mulheres pioneiras na redaçao da Carta das  Nações Unidas. Graças a gestões de diplomatas do Hemisfério Sul, o documento contém menções a direitos iguais entre homens e mulheres.

O evento destacou o papel da brasileira Bertha Lutz e da dominicana Minerva Bernardino, que participaram da assinatura da Carta das Nações Unidas, em 1945. Também foram lembradas  Hansa Mehta e Sharista Ikramullah, da Índia e do Paquistão, respectivamente.  Elas fizeram contribuições fundamentais para as negociações da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Relembre neste video da ONU Brasil as mulheres que marcaram a Carta da ONU. 

Brasileira foi essencial para menção à igualdade de gênero na Carta da ONU

Passos

Participaram da mesa de debates  “Mulheres e Origens das Nações Unidas – Um Legado do Sul” as pesquisadoras Fatima Sator e Elise Dietrichson, da Escola de Estudos Orientais e Africanos da Universidade de Londres, Soas, e Rebecca Adami  da Universidade de Estocolmo.  As acadêmicas começaram a investigar o papel das mulheres na criação da ONU com base em documentos e vídeos da época. Ali, descobriram que as diplomatas, apesar de minoria, tiveram um impacto fundamental para que os direitos femininos fossem assegurados. No caso da brasileira, Bertha Lutz, conta Elise Dietrichson, os delegados na época chegaram a demonstrar uma "certa irritação com a insistência dela de incluir o termo 'mulheres' na Carta". 

Fatima Sator, que tomou a palavra logo depois, afirmou que o evento inédito, certamente iria inspirar muitas mulheres a assumirem seus direitos.

As pesquisadoras enfatizaram que as diplomatas mulheres formavam apenas 3% dos 850 representantes na Conferência de São Francisco, que deu início à ONU.

O legado dessas mulheres pioneiras foi lembrado por vários embaixadores de países do Hemisfério Sul, e a maioria mulheres. Falaram representantes da África do Sul, da Colômbia, de Gana, da Índia, do Paquistão, do Uruguai e a vice-embaixadora do Quênia, representando a Comissão sobre o Estatuto da Mulher, CSW. 

O Brasil,  que organizou a reunião,  foi representado pelo embaixador, Mauro Vieira, que discursou na abertura. 

 

ONU News
Brasil destaca papel de Bertha Lutz na Carta da ONU

Assista ao vídeo do depoimento dele à ONU News sobre a importância de Bertha Lutz e outras mulheres à Carta das Nações Unidas.

O evento em Nova Iorque foi encerrado com um discurso da chefe de gabinete do secretário-geral, Maria Luiza Ribeiro Viotti.  Segundo ela,  leis e objetivos para igualdade de gênero são essenciais no papel contudo são precisos mais passos tangíveis, na prática, para realizá-los. 

Pressão

Para Maria Luiza Ribeiro Viotti, é preciso ainda deixar-se  inspirar “por todas aquelas que, diante de uma enorme resistência e mentalidade enraizada, abriram o caminho” para esse fim.

A chefe de gabinete apelou para que a pressão continue (sobre igualdade de gênero) e que os ganhos não sejam dados como certos.

O discurso destacou o papel essencial das mulheres do Hemisfério Sul para se criar documentos de referência. Os exemplos são a Carta das Nações e a Declaração Universal dos Direitos Humanos.

A embaixadora de carreira saudou esforços de mulheres notáveis em países como Brasil, República Dominicana, Índia, México, Paquistão e outros neste processo.

Assista ao video da cobertura do evento pela ONU News Português. 

Evento lembra mulheres pioneiras na criação da Carta da ONU

Movimento

Ela citou ainda avanços legislativos e tratados como a Convenção de Montevidéu sobre a Nacionalidade das Mulheres Casadas que envolveram décadas de ação do movimento sufragista e dos esforços femininos.

Maria Luiza Ribeiro Viotti destacou como resultados desses esforços as normas globais para todos e também importantes para as mulheres, numa época em que  muitos dos países da Conferência de São Francisco não permitiam o voto feminino.

O outro resultado dessas contribuições foi o início das Nações Unidas com “uma identidade clara e intrinsecamente ligada ao seu apoio aos direitos das mulheres”.

A representante destacou ainda que a Carta foi o primeiro acordo internacional que proclamou a igualdade de gênero como um direito humano fundamental.

Apresentação: Monica Grayley.