Chefes de agências da ONU reiteram que assédio sexual "não tem lugar na organização”

O secretário-geral participou num evento sobre saúde mental em Londres.
Susan Smart/Wellcome Trust
O secretário-geral participou num evento sobre saúde mental em Londres.

Chefes de agências da ONU reiteram que assédio sexual "não tem lugar na organização”

Assuntos da ONU

António Guterres está em Londres, onde já se reuniu com a primeira-ministra do Reino Unido e com o secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros; chefe da ONU participou em evento sobre saúde mental.

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, discutiu esta quinta-feira, em Londres, o tema do assédio sexual na organização com 31 chefes de agências das Nações Unidas. A reunião do Conselho Executivo da ONU decorre todos os anos.

Segundo uma nota do porta-voz do secretário-geral, os membros deste Conselho “concordaram que o assédio sexual resulta de uma cultura de discriminação e privilégio, com base em relações desiguais de género e dinâmicas de poder.” Segundo eles, esta realidade “não tem lugar nas Nações Unidas.”

Combate

No final do encontro, os participantes reiteraram o compromisso de aplicar uma tolerância zero para com o problema, de fortalecer os esforços de prevenção e resposta e, finalmente, de promover um ambiente de trabalho seguro e inclusivo.

Segundo a nota do porta-voz de Guterres, estes esforços vão acontecer em três áreas. Primeiro, a denúncia dos casos, depois a investigação e a tomada de decisão e, finalmente, a abordagem e apoio às vítimas.

Como as Nações Unidas combatem a exploração e o abuso sexuais?

Encontros

Na quarta-feira, António Guterres reuniu-se com vários membros do governo do Reino Unido.

Num encontro com a primeira-ministra britânica, Theresa May, o secretário-geral afirmou que “se não existirem regras, uma governação multilateral não é possível.” Segundo ele, a ONU “está muito empenhada em garantir que o mundo respeita essas regras”.

Guterres disse que o mundo enfrenta desafios de não-proliferação de armas nucleares e químicas. Para ele, “a parte nuclear parece promissora”, mas quanto a armas químicas “ainda existe um longo caminho para percorrer.” 

Num encontro com o secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros, Boris Johnson, o chefe da ONU agradeceu o apoio do país às reformas na ONU.

O secretário-geral também afirmou que o Reino Unido “é um pilar do multilateralismo de hoje” e que tem estado “muito comprometido na cooperação para o desenvolvimento, paz e segurança e direitos humanos.”

Secretário-geral, António Guterres, com primeira-ministra britânica, Theresa May.
Governo Reino Unido
Secretário-geral, António Guterres, com primeira-ministra britânica, Theresa May.

Saúde mental

Na quarta-feira à noite, Guterres participou num evento sobre saúde mental organizado pela Organização Mundial da Saúde, OMS. A vice-secretária-geral da ONU, Amina Mohammed, e o diretor da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, também estiveram presentes.

No seu discurso, o secretário-geral lembrou que “uma em cada quatro pessoas tem um episódio de saúde mental durante a sua vida, mas o assunto continua a ser largamente negligenciado.”

Entrevista

Numa entrevista com a BBC, Guterres disse estar “otimista” quanto à resolução da crise na Península Coreana. Segundo ele, “as coisas estão caminhando para uma negociação com significado.”

Sobre o Acordo Nuclear com o Irão, o chefe da ONU disse que o documento é “uma conquista importante” e que “não deve ser desfeito sem ter uma boa alternativa.”

 

Apresentação: Alexandre Soares