Conferência em Bruxelas procura mais de US$ 9 bilhões para ajudar a Síria

24 abril 2018

Encontro reúne esta terça-feira mais de 200 Organizações Não-Governamentais; plano inclui apoio a sírios na região; mais de 13 milhões de pessoas precisam de ajuda humanitária no país.

A União Europeia e as Nações Unidas organizam esta terça e quarta-feira, em Bruxelas, uma conferência sobre a Síria. O objetivo é angariar US$ 9,1 bilhões para financiar a resposta humanitária na região. 

Até dia 15 de abril, apenas 14,6% destas necessidades estavam cobertas. Os organizadores do evento acreditam que esta “é uma oportunidade para novas doações, mas também para mais esforços para conseguir acesso a locais onde a ajuda é necessária.”

Diálogo

O primeiro dia do encontro é dedicado ao diálogo com Organizações Não-Governamentais, ONGs. Mais de 200 destas organizações vão oferecer recomendações operacionais ao encontro ministerial, que acontece na quarta-feira.

Falando a jornalistas, enviado especial para a Síria, Staffan de Mistura, disse que este dia mostra que as pessoas também precisam de um lugar à mesa.

Segundo ele, a comunidade internacional deve ouvir e falar com o povo sírio. Durante o encontro, “muitos não concordavam, mas conseguiram sentar-se à volta de uma mesa. ” Mistura afirmou que “é exatamente isso que precisamos a nível político, e que ainda não aconteceu.”

ONU/Eskinder Debebe
Subsecretário-geral para os Assuntos Humanitários, Mark Lowcock.

Necessidades

Falando na abertura do encontro, o subsecretário-geral para os Assuntos Humanitários, Mark Lowcock, disse que “apesar da ultraje moral coletivo, continuamos incapazes de acabar com a miséria humana. ”

A ONU e os seus parceiros precisam de US$ 3,51 bilhões para ajuda humanitária a 13,1 milhões de pessoas este ano. Para ajudar os refugiados que estão nos países vizinhos, são precisos US$ 5,6 bilhões. 

O chefe humanitário afirmou que estes apelos “têm agora urgência ainda maior, para responder a necessidades que surgiram em todo o país, como Ghouta Oriental, Afrin e Idleb.”

A alta representante da União Europeia, Federica Mogherini, disse que a conferência também presta apoio ao processo de paz liderado pela ONU. Segundo ela, deve “enviar uma mensagem clara da comunidade internacional, os combates têm de terminar e o processo político deve começar. ”

Saúde

Segundo a Organização Mundial da Saúde, OMS, existem 17 milhões de homens, mulheres e crianças vulneráveis no país.

A agência disse que “as pessoas são incapazes de obter cuidados de saúde básicos, que podem salvar vidas, sem ser expostos a riscos significantes todos os dias. ”

Segundo a OMS, menos de metade das unidades de saúde estão completamente operacionais. Além disso, continuam os ataques indiscriminados. Em 2018, unidades de saúde já foram atacadas 74 vezes.

O encontro de quarta-feira vai reunir representantes de mais de 85 países e organizações.  

 

Apresentação: Alexandre Soares

 

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