Relatório da ONU pede mais investimento no tratamento de dependentes de drogas
BR

1 março 2018

Conselho Internacional para o Controle de Narcóticos diz que apenas 1 pessoa em cada 6 recebe tratamento necessário; especialista alerta para aumento da quantidade de droga disponível; rota de tráfico conhecida como trapézio amazónico, que inclui Brasil, é considerada uma das principais no mundo. 

É necessário mais investimento no tratamento de pessoas que usam drogas, diz o relatório anual do Conselho Internacional para o Controle de Narcóticos, Incb, publicado esta quinta-feira.

O tema do relatório é tratamento, reabilitação e integração social de pessoas afetadas pelo uso de drogas como parte essencial na redução das drogas no mundo.

Tratamento

A pesquisa diz que, no mundo todo, apenas 1 pessoa em cada 6 recebe o tratamento de que precisa. Quando existem estes cuidados, são muitas vezes de baixa qualidade.

Segundo o relatório, “reconhecer que o tratamento a dependência de drogas faz parte do direito à saúde e contribui para reduzir o estigma e a discriminação.”

Um especialista da agência da ONU, Reiner Pungs, falou à ONU News desde Viena, na Áustria, e explicou as principais conclusões do estudo.

“A principal mensagem é que os países provêm mais tratamento para grupos vulneráveis e usuários de drogas. Isso quer dizer que, em muitas regiões, você tem pessoas que usam drogas e que não têm o tratamento necessário fornecido pelos seus governos.”

Segundo ele, outro destaque é o pedido de “um maior acesso aos medicamentos contra a dor, principalmente tratamentos para câncer, que em muitas regiões do mundo, como na África, não estão disponíveis para a maior parte da população que necessita deles.”

Aumento     

Reiner Pungs afirma que outro problema é o crescimento da quantidade de cocaína e de heroína em todo o mundo e, sobretudo, nos países produtores. Segundo ele, no Afeganistão a produção de heroína duplicou no espaço de um ano.

“Isso quer dizer que vai haver muito mais droga disponível no mercado e, com isso, se deve gerar um maior número de dependentes. De onde é que surgiu esse aumento? Fica a explicação para os governos, do que é que está a ser feito para reduzir.”

ONU/D. Gair
Mulher na Tailândia fumando ópio.

Diferença

O relatório apresenta o conceito de “divisão da dor mundial”. Os autores explicam que bilhões de pessoas no mundo não têm acesso a tratamentos simples contra a dor, como morfina, mas que em alguns países desenvolvidos eles são tão abundantes que as pessoas estão a morrer de overdose.

“Um exemplo clássico são os Estados Unidos e o Canadá, onde você tem um crescimento enorme de pessoas morrendo por overdose por ter uma disponibilidade muito grande de medicamentos, de opiáceos, disponíveis, tanto lícitos como ilícitos. E outros países onde você tem muita gente sofrendo com dores crónicas, como câncer, e não têm remédio disponível. Essa é a dicotomia que o mundo hoje tem de tratar.”

Lusófonos

O relatório faz várias referências a países de língua portuguesa.

Os autores dizem que, “com base na limitada informação disponível, África parece estar a assistir a um maior aumento do uso de heroína do que outras regiões.” Moçambique aparece na lista dos países que notificaram um aumento, mas a percentagem de uso no continente continua abaixo da média mundial.

Quanto ao Brasil, o relatório explica que “é importante referir a rota de tráfico conhecida como trapézio amazónico”, que inclui o país lusófono, a Colômbia e o Peru.

Os autores dizem que “a área e uma das principais rotas de tráfico para os Estados Unidos e a Europa” e que “os correios de cocaína frequentemente viajam diretamente do Brasil.”

Portugal, entra na lista dos países europeus onde as autoridades fizeram mais apreensões de cocaína, com 1 tonelada apreendida em 2016 (a Bélgica lidera a lista, com 39 toneladas).

 

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