Relatório alerta para uso de substâncias psicoativas entre jovens
BR

27 fevereiro 2020

Estudo das Nações Unidas foca em impacto físico, emocional e social das drogas psicoativas sobre pessoas entre 15 e 24 anos; tráfico de cocaína continua sendo um grande desafio para o norte e oeste da África; na América do Sul, problemas relacionados à produção ilícita, venda e uso de drogas continuam a gerar insegurança e violência.

O relatório anual de 2020 do Conselho Internacional para o Controle de Narcóticos, Incb, fez um alerta sobre o uso de substâncias psicoativas entre os jovens. O documento pede uma concentração maior na melhoria dos serviços de prevenção e tratamento do uso de substâncias pela juventude.

O estudo foca no impacto físico, emocional e social que as drogas psicoativas têm sobre os jovens entre 15 e 24 anos de idade.

O estudo observa que o tráfico de cocaína continua sendo um grande desafio para o norte e oeste da África. Foto: Unodc

Canabis

Segundo o relatório, o uso de substâncias e as consequências associadas à saúde são maiores entre os jovens, sendo que a cannabis é a substância mais utilizada.

O Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, Unodc, estima que, em 2016, o uso de maconha tenha afetado 5,6% ou 13,8 milhões de jovens de 15 a 16 anos, com taxas variando por região.

Os índices mais altos foram na Europa, com 13,9%. Em seguida, aparecem as Américas, com 11,6%, a Oceania, com 11,4%, a África, com 6,6% e a Ásia, com 2,7%.

Álcool e tabaco

O relatório destaca que o uso de álcool e tabaco por crianças e adolescentes está intimamente ligado ao início da utilização de substâncias psicoativas. Com frequência, o consumo precede o uso de maconha e outros produtos controlados.

O material cita estudos que acompanharam crianças até a idade adulta e revelaram que quanto mais cedo inicia o do uso de álcool, tabaco e maconha durante as idades de 16 a 19 anos, maior a probabilidade do consumo de opiáceos e cocaína na idade adulta.

Vulnerabilidade

A pesquisa mostrou que os jovens são particularmente vulneráveis ​​ao uso regular de drogas, levando a uma revisão dos fatores de risco e proteção. O Incb também afirma que a necessidade de prevenção e tratamento para crianças e adolescentes deve levar em consideração as influências individuais e ambientais sobre os jovens e seu desenvolvimento.

De acordo com as Normas Internacionais do Unodc e da Organização Mundial da Saúde, OMS, sobre Prevenção ao Uso de Drogas, os programas de prevenção baseados em evidências para crianças e adolescentes devem incluir diversos elementos. Entre eles, o incentivo ao envolvimento positivo na vida das crianças e a comunicação eficaz, incluindo a definição de regras e limites.

Informações

Além disso, currículos escolares devem desenvolver habilidades pessoais e sociais para jovens, incluindo tomada de decisões, definição de objetivos e habilidades analíticas. Assim, os jovens são informados corretamente sobre os efeitos de substâncias psicoativas e podem resistir a influências que possam levar ao consumo de drogas.

Também é citada, por exemplo, a necessidade de uma aplicação rigorosa de regulamentos para limitar o acesso a medicamentos psicoativos, ao tabaco, álcool e cannabis para crianças e adolescentes.

Apreensões

O estudo observa que o tráfico de cocaína continua sendo um grande desafio para o norte e oeste da África. Já a África Ocidental relatou apreensões recorde de cocaína originária da América do Sul e Central, destinada para a Europa.

Em 2018, Angola consta entre os países que relataram as principais apreensões de cocaína, 500 kg.

Já Moçambique, aparece na lista de países que relataram apreensões de quantidades de cocaína que variaram de alguns quilogramas a 155 quilogramas. O país também teve apreensões menores de heroína em 2018.

Em Cabo Verde, segundo o relatório, a maior apreensão de cocaína já realizada ocorreu em janeiro de 2019, quando a Polícia Judiciária apreendeu mais de 9,5 toneladas de cocaína em um navio vindo do Panamá. As autoridades do país também apreenderam mais de 2,2 toneladas de cocaína em outro navio em agosto de 2019, durante uma operação conjunta com a Guarda Costeira nacional.

Guiné-Bissau

O estudo cita um relatório especial do secretário-geral, que diz que a situação do tráfico de drogas na Guiné-Bissau começou a apresentar melhorias modestas, embora os desafios permaneçam.

Com base neste relatório, o Conselho de Segurança reiterou sua preocupação com a ameaça à paz e à estabilidade representada pelo narcotráfico e o crime organizado transnacional relacionado na Guiné-Bissau.

O país teve uma apreensão recorde de cocaína em março de 2019, quando autoridades apreenderam 789 kg da droga como parte da Operação Carapau.

Américas

Na região da América Central e Caribe, o relatório indica que o uso de drogas, em particular de maconha, parece estar crescendo em todos os países.

Na América do Norte, a crise dos opioides continua a destruir vidas, famílias e comunidades. Mortes por overdose de drogas são um problema sério de saúde pública.

Nos Estados Unidos, as mortes relacionadas a opioides sintéticos continuaram subindo em 2018.

Agente da Polícia Judiciária vê drogas serem queimadas nos arredores de Bissau. Foto: ONU News/Alexandre Soares

Brasil

Já na América do Sul, os problemas relacionados à produção ilícita, tráfico e uso de drogas continuaram a gerar insegurança e violência na região.

No Brasil, na Colômbia e na Venezuela, a taxa de homicídios excede a média regional de 22 por 100 mil habitantes.

O relatório cita que em 2019, o governo brasileiro propôs ao Congresso uma nova lei que estabelece medidas aprimoradas contra a corrupção e ao crime organizado. A expectativa é que isso contribua no combate ao tráfico de drogas.

Além disso, o governo estava considerando a criação de uma agência especializada para maximizar a recuperação de receitas ilícitas através da venda de ativos apreendidos.

Recomendações

O relatório pede aos governos que estabeleçam sistemas nacionais de dados epidemiológicos para monitorar as tendências e mudanças no uso de substâncias psicoativas entre os jovens. O Incb acredita que isso pode permitir que a prevenção baseada em evidências seja implementada antes da idade de início do uso desses produtos.

O estudo observa que os governos devem investir no desenvolvimento de conhecimentos profissionais no campo da prevenção e tratamento do uso de substâncias, com foco nas necessidades dos jovens.

 

 

 

♦ Receba atualizações diretamente no seu email - Assine aqui a newsletter da ONU News
♦ Baixe o aplicativo/aplicação para - iOS ou Android
♦ Assista aos vídeos no Youtube e ouça a rádio no Soundcloud