OIM alerta sobre morte de 1,2 mil crianças migrantes, mas número deve ser “muito maior”

16 fevereiro 2018

Cerca de metade das vítimas morreu ao tentar atravessar o Mediterrâneo; agências da ONU querem mais informação sobre essas pessoas; dados começaram a ser coletados em 2014.

Alexandre Soares, da ONU News em Nova Iorque.

A Organização Internacional para Migrações, OIM, informou a morte de mais de 1,2 mil crianças migrantes desde 2014, mas avisa que o número deve ser muito mais alto.

A OIM começou a recolher esta informação em 2014, através do Projeto Imigrantes Desaparecidos.

Itália e Grécia

O número representa 5% de todas as mortes de migrantes. Cerca 12,5% de todos os migrantes têm menos de 18 anos.

A OIM lembra ainda que o número de crianças migrantes aumentou nos últimos cinco anos. Cerca 25% das pessoas que chegaram a Itália e Grécia em 2015 eram crianças e, no caso da Itália, 72% estavam desacompanhados.

Rotas perigosas

Apesar da falta de informação, a OIM diz que o Mediterrâneo é a região onde morrem mais crianças migrantes, com 578 casos registados. A agência calcula que o número real seja de pelo menos 1,3 mil.

Segue-se África com 137 casos, a fronteira do México com os Estados Unidos, com 20 mortes, e a Europa, com 18 vítimas. 

Quanto aos motivos de morte, mais crianças morrem afogadas. Seguem-se os acidentes de viação, exposição a ambientes tóxicos, violência e, finalmente, falta de cuidados de saúde.

Falta de informação

A coordenadora do Projeto Migrantes Desaparecidos, Julia Black, disse que “a verdade é que o número de crianças que morrem durante migração é muito mais alto do que aquilo que se sabe.”

Black afirma que “obter melhor informação pode ajudar a reduzir tragédias no futuro, bem como ajudar as famílias a identificar os entes queridos.”

Várias agências da ONU, incluindo a OIM, o Acnur e o Unicef, lançaram quinta-feira uma chamada à ação explicando que a falta de informação prejudica a forma como os programas de ajuda são pensados.

O diretor do Centro de Análise da OIM, Frank Laczko, que, quando morre um migrante, em apenas 40% dos casos é possível determinar a sua idade. Das 1.202 mortes de crianças registadas, só se conhece a idade dos meninos e meninas em 21% dos casos.

A média de idade, para os casos conhecidos, era de oito anos.

 

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