Guia sobre educação sexual prioriza direitos e igualdade de gênero
BR

12 janeiro 2018

Publicação completa 10 anos desde sua primeira edição pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, Unesco; objetivo é assistir legisladores que preparam políticas para crianças e jovens entre 5 e 18 anos, ou mais.

Monica Grayley, da ONU News em Nova Iorque.

Um guia sobre educação sexual voltado para legisladores que trabalham na formação de currículos escolares completa 10 anos desde sua primeira edição.

Em comunicado, o Programa das Nações Unidas sobre HIV/Aids, Unaids, marcou a data lembrando que o guia defende os direitos de crianças e jovens de terem uma vida saudável, segura e produtiva.

Bem-estar

As diretrizes foram divulgadas por especialistas da Unesco, que chamam a atenção ainda para a educação sexual de qualidade, a igualdade de gênero e o bem-estar.

O Guia Internacional Técnico de Educação Sexual baseia-se em evidência científica atualizada e reafirma a disciplina dentro de um parâmetro de direitos humanos e igualdade de gênero, como explicou a diretora-geral da Unesco.

Audrey Azoulay conta que o guia promove a sexualidade e as relações de uma forma positiva e centrada no melhor interesse dos jovens.

Casamentos forçados

Para a agência da ONU, as autoridades nacionais devem formular currículos abrangentes para alunos de 5 a 18 anos ou mais.

O guia demonstra que a educação sexual ajuda os jovens a serem responsáveis com relação ao comportamento e à saúde reprodutiva.

As diretrizes também ajudam a combater o êxodo escolar entre meninas por causa de casamentos forçados, gravidez na adolescência e outros assuntos de saúde sexual e reprodutiva.

Em algumas partes do mundo, duas em cada três meninas não sabem o que acontece com elas quando começam a menstruar. Já complicações na gravidez e no parto são a segunda causa de morte entre meninas de 15 a 19 anos.

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A jovem Martha, que nasceu com HIV, descobriu que seu filho Rahim Idriss nasceu livre do vírus. Foto: Unicef/HIVA201500101/Schermbrucker

HIV/AidsO guia tampouco incentiva um aumento de atividade sexual ou de comportamento de risco. Não faz subir casos de doenças sexualmente transmissíveis ou HIV/Aids. E mostra que apenas contar com programas de abstinência sexual não é garantia para evitar a iniciação no sexo, ou reduzir número de parceiros na juventude.

A publicação revela que é preciso identificar, com urgência, a qualidade da educação sexual abrangente para levar informação aos jovens sobre a transição da infância à fase adulta e as transformações físicas, sociais e emocionais que vão enfrentar.

Conhecimento

Além disso, o guia quer combater desafios como falta de acesso a contraceptivos, gravides na adolescência, violência de gênero, doenças sexualmente transmissíveis e intimidações na internet ou bullying.

Os especialistas afirmam que a publicação aumenta a conscientização sobre a prevenção ao HIV.

Apenas 34% dos jovens demonstraram conhecimento de causa ao serem entrevistados.

A publicação foi compilada com o apoio das agências: Unaids, Unicef, Unfpa, ONU Mulheres e OMS.