Enviado para o Oriente Médio pede ação “antes que seja muito tarde” BR

Nickolay Mladenov (em videoconferência) apresenta informe em reunião no Conselho de Segurança. Foto: ONU/Manuel Elias

Enviado para o Oriente Médio pede ação “antes que seja muito tarde”

Representante descreve Faixa de Gaza como um “barril de pólvora”; informe ao Conselho de Segurança cita novos assentamentos ilegais; financiamento para operação de emergência que fornece energia a Gaza expira em poucos meses.

Eleutério Guevane, da ONU News em Nova Iorque.*

O coordenador especial da ONU para o Processo de Paz no Oriente Médio apelou aos líderes palestinos e israelenses a retornarem às negociações sobre a chamada solução de dois Estados.

Num informe apresentado ao Conselho de Segurança, esta terça-feira, Nickolay Mladenov diz que é urgente enfrentar o rápido aumento da insegurança na Faixa de Gaza. Para evitar “um conflito que ninguém quer” o apelo às partes é que “ajam antes que seja muito tarde”.

Autoridade

Em segundo lugar, Mladenov declarou que a política da construção de assentamentos ilegais nos territórios palestinos ocupados viola a resolução 2334 da ONU.

Ele apontou como terceiro ponto a “preocupação muito séria” com a continuação dos atentados terroristas, de incitamento e atos de violência.

O coordenador elogiou os passos positivos dados por Israel para melhorar o estado da economia palestina e disse que se continuarem, “aumentarão significativamente a autoridade civil local”.

Mladenov reiterou que a Faixa de Gaza era o que chamou de “barril de pólvora” e que os seus 2 milhões de habitantes não podem mais continuar “reféns das divisões”.

Seriedade

Para o representante da ONU, todos os problemas sobre o estatuto final da área podem ser resolvidos por acordo mútuo através da lei internacional e das resoluções do Conselho de Segurança, se as negociações recomeçarem “com seriedade”.

Mladenov disse que Israel não cumpriu suas obrigações em relação ao fim de todas as atividades de assentamento no território palestino ocupado. Ele citou planos de construção de 4 mil novas habitações anunciados nos últimos meses.

Por outro lado, condenou a prática das autoridades palestinas de exaltar “terroristas que cometem ataques como heróis e mártires”.

Eletricidade

O coordenador especial mencionou igualmente a disputa sobre os pagamentos de eletricidade entre as facções palestinas que deixaram a população sem luz durante a maior parte do dia.

A Faixa de Gaza depende atualmente de 60% da eletricidade vinda de Israel, do Egito e de uma operação de emergência coordenada pela ONU, cujo financiamento expira em dois a três meses.

*Apresentação: Edgard Júnior.