Pescadores moçambicanos pedem fiscalização no Dia Mundial dos Oceanos

8 junho 2016

Data é celebrada nesta quarta-feira com sob lema “Oceanos Saudáveis, Planeta Saudável”; pescadores citaram ainda restauração de mangais e redução da poluição como alguns dos principais desafios.

Ouri Pota, da Rádio ONU em Maputo.

Moçambique comemora o Dia Mundial dos Oceanos, esta quarta-feira, sob lema “Oceanos Saudáveis, Planeta Saudável”.

A promoção e disseminação de conteúdo sobre a conservação, preservação e uso racional dos recursos e do ambiente marinho são algumas das principais apostas contidas no plano quinquenal 2015-2019 do governo moçambicano.

Pescadores

A Rádio ONU em Maputo conversou com pescadores artesanais sobre a importância do oceanos. Manuel Guiamba tem 54 anos e há 40 anos pratica a atividade.

Ele citou alguns dos problemas que considera que mais afetam os oceanos.

Poluição

“Temos problema da poluição aqui na nossa costa, nós não conseguimos tirar o lixo que temos aqui. Quando o mar sobe vem evacuar o mesmo lixo de novo para o mar e aqueles não são alimentos adequados para o peixe. Outra coisa é a questão do póprio mar, lá no mar onde vamos à pesca lançamos, plásticos, latas, muita coisa, aquilo que nós levamos, aquilo não dá para o consumo para o próprio peixe”.

Guiamba acrescentou que a poluição é fator responsável pela redução da quantidade e variedade do pescado.

Perigo

“Todo pescado saía bem mesmo, tinhamos magumba, tainha, camarão. Agora já não sai todo esse peixe, reduziu a quantidade, primeiro por causa da veda, não estamos a respeitar a veda, a poluição também faz parte, temos o problema do mangal, já não temos o mangal, onde o camarão reproduzia-se lá, já não temos”.

António Mandenga, também pecador, apela à existência de meios de patrulha para melhor conservação e protecção dos oceanos e dos pescadores.

“Nós gostariamos de ter ajuda de um barquinho de patrulha da captania, para ajudar. Muitos de nós pescadores não temos televisão em casa, as vezes saimos com mau tempo, e somos deparados com mau tempo, e não temos barcos a motor , trabalhados com a força, com vento não é facil. Uns os barcos viram e outros perdem a vida. Eu gostaria em cada zona como katembe, tivesse pelo menos um barco de ajuda”.

Moçambique possui 2,5 mil quilómetros linha de costa, além de numerosos rios que correm em paralelo para Oceano Índico.O país explora anualmente 290 mil toneladas de vários recursos marinhos, além de outras 350 mil de camarão, 90% destas para a exportação.

 

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