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ONU observa redução das hostilidades na Ucrânia nos últimos meses BR

Zeid Al Hussein. Foto: ONU/Jean-Marc Ferré

ONU observa redução das hostilidades na Ucrânia nos últimos meses

Relatório de Direitos Humanos destaca diminuição da violência no leste do país após acordo de cessar-fogo firmado em agosto; mais de 9 mil pessoas morreram no conflito.

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York.

Mais de 9 mil pessoas foram mortas pelo conflito no leste da Ucrânia desde abril de 2014, mas as Nações Unidas têm observado uma redução das hostilidades nos últimos meses. Nesta quarta-feira, o Escritório de Direitos Humanos divulgou um relatório sobre a situação no país.

Casos de impunidade, de tortura e a falta do respeito à lei no leste da Ucrânia continuam. Outra preocupação é com a situação humanitária da população.

Vítimas

A Missão de Monitoramento dos Direitos Humanos na Ucrânia nota que o “cessar-fogo dentro do cessar-fogo” firmado em 26 de agosto levou a “uma queda considerável das hostilidades”.

Desde então, militares ucranianos e grupos armados deixaram de utilizar alguns armamentos pesados. O relatório cobriu o período de 16 de agosto a 15 de novembro, quando 47 civis foram mortos e 131 ficaram feridos.

Mas desde o início do conflito, o total de feridos passou de 20 mil. Entre as vítimas estão civis, integrantes de grupos armados e das forças de segurança ucranianas.

Explosivos

Explosivos de guerras ou improvisados estão entre as principais causas das mortes e dos ferimentos. O documento diz ser urgente fazer a limpeza das minas antipessoais na Ucrânia, mas nota que ainda há muita munição, armas e combatentes da Rússia nos territórios controlados pelos grupos armados na Ucrânia.

O relatório releva ainda sérios abusos de direitos humanos nos territórios controlados pela auto-proclamada “república do povo de Donetsk” e “república do povo de Luhansk”. São casos de assassinato, tortura, tratamento cruel, detenções ilegais, trabalho forçado e falta de liberdade de movimento.

Impunidade

Pelos cálculos da ONU, 2,9 milhões de pessoas vivendo em áreas em conflito continuam enfrentando dificuldades para conseguir atendimento médico, abrigo, benefícios sociais e compensação para danos em suas propriedades.

A situação continua difícil para 800 mil pessoas vivendo na linha de contato e o relatório destaca também que integrantes do Serviço de Segurança da Ucrânia desfrutam de “um certo nível de impunidade”.

O alto comissário de Direitos Humanos da ONU disse que civis nas áreas em conflito no leste da Ucrânia terminam o ano como começaram, numa situação humanitária e de direitos humanos bastante difícil.

Zeid Al Hussein lamenta que “idosos ou pessoas com deficiência não têm acesso a tratamentos essenciais”.

Apesar da redução das hostilidades ser uma boa notícia, o alto comissário faz um novo apelo a todos os lados em conflito para “implementarem totalmente o Acordo de Minsk e garantir a aplicação da lei de direito e das normas internacionais de direitos humanos em toda a Ucrânia”.

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