Nova resolução quer participação de mulheres na resolução de conflitos

Nova resolução quer participação de mulheres na resolução de conflitos

Aprovada por unanimidade, resolução 2122 reconhece desequilíbrios em questões de cidadania; Secretário-Geral vê vantagens na paz sustentável, recuperação económica e legitimidade política.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.*

O Conselho de Segurança adotou, esta sexta-feira, uma resolução que estabelece medidas com vista a permitir a participação das mulheres na resolução de conflitos e no processo de recuperação.

Ao discursar no evento, o Secretário-Geral elogiou a decisão do órgão ao aprovar o documento. Ban Ki -moon disse que a medida faz brilhar uma luz sobre a importância da ONU e a liderança das mulheres na paz e na segurança internacional.

Paz Sustentável

Para o chefe da ONU, a participação em esforços de paz é um assunto que tem impacto na igualdade de géneros e nos direitos humanos universais. Ban afirmou ainda que a resolução deixa claro que o envolvimento feminino é crucial para o alcance de uma paz sustentável, da recuperação económica, da coesão social e da legitimidade política.

No evento, a diretora executiva da ONU Mulheres disse que a liderança feminina é fundamental para a reconciliação e a resolução de conflitos, além dos esforços de manutenção da paz com impacto em famílias e comunidades.

Lugares à Mesa

Para Phumzile Mlambo-Ngcuka, o documento encarrega a entidades como o Conselho de Segurança, as organizações regionais e aos Estados-Membros “de derrubar barreiras, de criar um espaço e colocar à disposição lugares à mesa para as mulheres.”

A resolução 2122 reconhece que o impacto dos conflitos sobre as mulheres é agravado pelos desequilíbrios causados pelos direitos desiguais de cidadania e a falta de acesso a documentos de identidade.

Sobrevivência

Pelo facto, mulheres e seus filhos podem ficar apátridas, com falta de acesso aos serviços básicos para a sobrevivência ou a falta a capacidade de recuperar a terra e propriedade no período pós-conflito.

A resolução, aprovada por unanimidade, também aborda os direitos das mulheres grávidas como resultado de um estupro durante o conflito. A comunidade internacional reconhece a necessidade de garantir que a ajuda humanitária inclua apoios para o acesso a serviços de saúde sexual e reprodutiva.

A igualdade de género e o empoderamento das mulheres são também considerados fundamentais para a paz e a segurança internacional no documento. A autonomia económica feminina é reconhecida como contributo significativo para a estabilização das sociedades emergentes de conflitos armados.

*Apresentação: Denise Costa.