Fome matou cerca de 260 mil somalis em dois anos, revela relatório

Fome matou cerca de 260 mil somalis em dois anos, revela relatório

Pesquisa encomendada pela ONU aponta resposta lenta como um dos fatores que contribuíram para a perda de vidas; mortes foram resultado da considerada seca mais grave dos últimos 60 anos.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

Cerca de 260 mil pessoas morreram devido à fome e à insegurança alimentar durante a seca ocorrida entre 2010 e 2012 na Somália, indica um relatório da Rede de Sistemas de Alerta sobre a Fome.

A pesquisa publicada esta quinta-feira, em Nairobi e em Washington, aponta entre os fatores que contribuíram para a perda de vidas a resposta lenta às advertências sobre a fome.

Crianças

A instituição indica que, por razões de segurança, houve um acesso limitado às zonas afetadas. A questão é tida como a principal para o fenómeno que teve crianças com menos de cinco anos como a metade das vítimas.

A aliar-se a que é considerada “a seca mais grave dos últimos 60 anos”, ocorrida em meados de 2011, está a dificuldade de acesso da ajuda humanitária para o sul da Somália onde “a população estava enfraquecida há muito do tempo.”

Governo

O estudo foi encomendado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura, FAO, e pela Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional, Usaid.

A FAO destaca que a população no sul da Somália continua fraca, e que mais trabalho precisa ser feito especialmente numa altura em que o país “conta com um governo credível.”

A agência diz que, juntamente com outras entidades da ONU, trabalha para reduzir a vulnerabilidade e aumentar a resistência das famílias somalis e de outras nações do Corno de África assoladas anualmente pelas secas.